quinta-feira, 17 de maio de 2012

Mapa da Violência revela explosão de homicídios em Londrina


O Mapa da Violência, divulgado ontem, trouxe números alarmantes sobre a segurança em Londrina. Os homicídios dolosos aumentaram 143% no primeiro trimestre deste ano, quando foram registrados 56 assassinatos. No mesmo período de 2011 foram 23 mortes da mesma classificação. Londrina segue tendência oposta a de Curitiba, que apresenta queda no número de homicídios dolosos. Segundo especialistas, os dados da Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR) mostram que a violência está migrando da capital para o interior do estado.
O total de crimes contra a pessoa em Londrina cresceu 18%, passando de 3.314 para 3.928 ocorrências entre os meses de janeiro e março deste ano. O registro de roubos passou de 330 em 2011 para 375 neste ano, aumento de 13%. Os homicídios culposos de trânsito também apresentaram aumento expressivo, de 111%, passando de 18 para 38 este ano. Ainda de acordo com os dados baseados em inquéritos instaurados pela Polícia Civil, os crimes de lesão corporal tiveram pouca variação, com 590 ocorrências (4%) no último trimestre.
Os números de Londrina vão de encontro com o cenário estadual, que apresentou estabilização. Em todo o Paraná houve aumento de 0,5% no número de homicídios na comparação dos dois períodos. Os três primeiros meses de 2011 tiveram 803 mortes, sendo que em 2012 o índice foi de 807. A segunda maior cidade do estado é responsável por 7% do total dos assassinatos. Para comparação, a Organização Mundial de Saúde (OMS) determina como aceitável a taxa de 10 mortes para cada 100 mil habitantes. O índice em Londrina está em 32,86.
Um dos poucos índices relevantes que tiveram redução em Londrina foi de furto, totalizando 1.113 registros (-8%). No Estado houve queda de 2,36%. Foram registrados 37.693 casos no primeiro trimestre contra 36.802 ocorrências no primeiro trimestre deste ano.
Migração do crime
Os números de Londrina se confrontam com os de Curitiba, onde houve uma queda de 10% nos casos de mortes violentas. No período analisado, foram registrados 170 homicídios na capital em 2012, contra 189 do ano anterior. o professor de sociologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) Lindomar Boneti acredita que possa estar acontecendo uma migração do crime. Ele avalia que a concentração de esforços em Curitiba, local com os maiores índices de criminalidade, não é a melhor forma de combater a violência em todo o estado.
“Focamos principalmente em ações na capital e na região metropolitana”, reconhece o secretário estadual de Segurança Pública, Reinaldo de Almeida Cesar. O governo estadual promete reforço no sistema de segurança. Ainda em maio, serão integrados às polícias militar e civil 2.700 agentes. Além disso, no segundo semestre será aberto o concurso para delegados. Outra medida é a implantação de módulos móveis nas regiões com maior índice de criminalidade.
Para o professor do departamento do curso de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e doutor na área da violência, Alex Eduardo Gallo, uma das possíveis explicações para o aumento nos números é a presença constante do tráfico de drogas. "Se for examinar a fundo os dados de homicídios, certamente a maioria vai estar ligada a acertos de conta do tráfico", explicou. "Não dá pra dizer que a polícia não trabalhou. Mas não foi suficiente".
Já o coordenador do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná, Pedro Bodê, acrescenta que é necessário que o Paraná tenha políticas duradouras para a segurança. Ele cita o exemplo de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, que passaram pelo mesmo problema de migração da criminalidade. “O governo deve pensar em políticas a médio e longo prazos e não apenas em políticas localizadas”.
O delegado chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Márcio Vinícius Ferreira Amaro, se recusou a comentar os dados da violência, e disse que só iria se pronunciar a respeito na manhã de hoje. O tenente-coronel e comandante do 5º Batalhão de Polícia Militar, Samir Elias Geha, não atendeu aos telefonemas até o fechamento desta edição.

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