A Polícia Militar ocupou por tempo indeterminado as favelas da Zona Oeste do Rio que eram dominadas pelo traficante Márcio José Sabino Pereira, o Matemático, morto em operação realizada na madrugada deste sábado (12), como informou o RJTV. A idéia é continuar a desarticulação da quadrilha que era comandada pelo bandido.
"A investigação não acabou. É evidente que com o líder caindo o segundo escalão ascende naturalmente. Certamente teremos outras prisões nos próximos dias ou meses", disse o delegado João Luiz Araújo, chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal, que atua em conjunto com as polícias Militar e Civil há cinco meses na desarticulação do tráfico de drogas.
A ação começou no final da noite de sexta-feira (11) e entrou pela madrugada deste sábado. O delegado da DRE contou que recebeu informações de que o traficante estava circulando pela Favela da Coreia num Logan prata, na noite de sexta. Ele pediu o apoio do helicóptero da Polícia Civil para localizar o veículo pelo alto, e da PM para fazer o cerco nas ruas do entorno da favela.
Os quatro homens que estavam dentro do carro, percebendo que tinham sido identificados, começaram a atirar contra o helicóptero, segundo a polícia. Matemático foi morto por volta das 23h30 de sexta, mas seu corpo só foi localizado em outro carro — um Gol preto — por volta das 5h30 deste sábado, por policiais do Batalhão de Choque da PM.
"Os disparos foram intensos e vinham não só do carro, mas de vários pontos da favela", disse Araújo.
Artilharia pesadaJá o piloto Adonis contou que, para defender a aeronave, teve de abrir artilharia pesada contra o Logan onde estava o traficante.
"Eles estavam a cerca de 100 km/h na favela, tentando fugir do cerco, e disparavam contra a aeronave. Para interceptá-los, baixamos a uma altitude que variou de 20 a 60 metros, para que nenhum barraco fosse atingido pelos tiros disparados pelos policiais que estavam na aeronave. Na tentativa de fugir, o Logan bateu num muro. Três homens conseguiram fugir, mas tenho a impressão que Matemático ficou preso às ferragens e só pôde ser removido pelos comparsas mais tarde", detalhou Adonis, informando que o traficante levou ao menos um tiro que atravessou suas costas e atingiu o joelho.
O traficante tinha um torniquete improvisado com um cinto no joelho, quando o corpo foi encontrado no Gol preto, que foi encontrado próximo ao antigo viaduto de Bangu, na Zona Oeste do Rio.
do traficante 'Matemático' (Foto: Reprodução/Twitter)
Além da morte de Matemático, um outro suspeito foi preso na operação da sexta-feira. Segundo o delegado Araújo, em cinco meses de operação, até este sábado, 12 pessoas foram presas e foram apreendidos cinco fuzis, uma metralhadora, três pistolas, cinco granadas, 14 carregadores, 177 munições de calibres variados, seis radiotransmissores, 300 quilos de maconha, pouca quantidade de cocaína e 1.580 pedras de crack.
'Não é um troféu', diz BeltrameNa manhã de sábado, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, disse que a morte do traficante não é um troféu nem um emblema.
“Não vejo com tanta importância essa morte. É um trabalho que a polícia já vem fazendo. O mais importante é retirar essas pessoas de circulação com a prisão delas e a retomada do território. Já prendemos muita gente e não vejo essa morte como um troféu ou um emblema”, disse Beltrame.
Para o secretário, é importante ressaltar o processo de ocupação das áreas antes dominadas pela criminalidade, prometido pela polícia e que vem acontecendo em várias comunidade, e a integração das polícias Civil, Militar e Federal.
“A morte de Matemático é a soma dessas duas ações, que deixa os traficantes vulneráveis e eles acabam presos", disse o secretário.
Matemático era um dos traficantes mais procurados pela polícia. Recentemente o Disque-Denúncia aumentou a recompensa por informações que levassem à prisão dele de R$ 3 mil para R$ 10 mil. Ele é investigado em 26 inquéritos, tem 15 mandados de prisão pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e formação de quadrilha.
Há cerca de 20 dias, após a prisão de Joãozinho da Vila Kennedy, que seria o braço-direito de Matemático, a polícia anunciava que esta perto de prender o traficante.
Matemático estaria tentando invadir Vila Kennedy, comunidade de Bangu, para controlar o tráfico de drogas, nas mãos de Fabinho Noronha. Ele era suspeito de atuar em comunidades vizinhas à Vila Kennedy como Coreia, Rebu e Vila Aliança.
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