NOVA LIMA (MG) - O presidente do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra (PE), afirmou nesta quinta-feira, 17, que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar a atuação do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, 'não tem a menor chance de avançar' porque as 'ramificações' do bicheiro 'apontam na direção de Brasília'. O tucano negou que haja acordo para poupar políticos. Mas avaliou que o envolvimento de integrantes de várias legendas com Cachoeira emperra as investigações e que o governo só apoiou a criação da CPI 'para evitar que o foco fique onde deve ficar, que é o julgamento do mensalão'.
'Não estou acusando partidos, mas não vejo muita gente interessada em levar isso (CPI) adiante. Porque atinge governos de vários partidos. O Executivo no plural - o governo federal também - e governos estaduais não querem deixar ir adiante. Não é porque não tem coisa por trás. É porque tem', disparou Guerra, que não vê 'vontade política, orientação, processo, método para levar isso adiante com vistas a um resultado'.
Segundo o tucano, a versão de que haveria um acordo entre governo e oposição para evitar a convocação de governadores pela CPI 'tem muita ficção'. Ele afirmou que é a favor da convocação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), para depor na comissão, mas com a condição de também serem convocados os governadores Sério Cabral (PMDB-RJ) e Agnelo Queiroz (PT-DF). 'Convocar governadores é uma coisa positiva. Desde que sejam todos. Senão está vitimando um', disse. '(Mas) é muito provável que o PMDB não deseje que o governador Cabral seja ouvido. É muito provável que o PT não tenha interesse em ouvir o governador do Distrito Federal', completou.
Mas o presidente do PSDB fez questão de repetir que considera as acusações a Perillo um 'ataque especulativo' contra o partido. Em almoço com empresários mineiros em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, ele foi categórico em afirmar que 'nada vai ter de relevante contra o governador de Goiás'. Para Guerra, ainda é preciso verificar o que 'é fato' nas conversas de Cachoeira gravadas pela Polícia Federal. Mas ele salientou que, apesar de o contraventor ter 'muitas pessoas conhecidas' e 'muita influência', Cachoeira é 'provinciano' e 'muito menor do que se diz'.
Comissão de Ética. Apesar de afirmar ser favorável às investigações das ramificações de Carlinhos Cachoeira, Sérgio Guerra minimizou o envolvimento de tucanos com o contraventor. Ele adiantou que o partido descarta submeter Perillo à Comissão de Ética. No caso do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que indicou uma prima de Cachoeira para o governo mineiro a pedido do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), Guerra classificou como 'uma forma de querer botar o nome de uma pessoa que não tem nada a ver no problema'. Já com relação ao deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), que do plenário da Câmara deu parabéns a Cachoeira, Guerra disse que o caso 'é diferente', mas lembrou que o parlamentar 'não tem responsabilidade administrativa'.
'É acusado de ter relação de amizade com o Cachoeira. Tem que ser examinado se essas relações são convenientes ou inconvenientes', avaliou. 'Mas desde logo quero dizer que não há nada que envolva o Leréia em irregularidades. Se os argumentos (do deputado) não forem os que precisamos ouvir, que a sociedade precisa confiar, efetivamente o conselho de ética no partido será instaurado.