sábado, 5 de maio de 2012

Saúde gastou mais de R$ 3 milhões para tratar a gripe em 2011


Só no ano passado, a 17ª Regional de Saúde, que abrange 21 municípios, entre eles Londrina, gastou R$ 3.689.670,12 com 4.701 internações para tratamento de pneumonias ou influenza (gripe). Anualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) gasta U$ 90 milhões para tratar da pneumonia em crianças, o equivalente a 20% do seu gasto total. Entre adultos de 20 e 45 anos, a doença corresponde ao terceiro maior gasto do SUS ao ano.
O pneumologista de Londrina Guilherme Fazolo afirma que a prevenção da doença começa com os cuidados com a gripe e o principal deles é a vacinação. “A vacinação contra a gripe evita em mais de 50% o risco de pneumonia, que tem custo correspondente a quase 100 vacinas. Mas se o paciente tiver que ir para a UTI, o custo dele seria suficiente para vacinar mais de 2 mil pessoas”, diz. “No mundo todo, a vacinação contra a gripe pode prevenir 1,6 milhão de mortes ao ano em crianças.”
Meta é vacinar 60 mil pessoas em Londrina
A campanha nacional de vacinação contra a gripe começa neste sábado (5) e vai até 25 do mesmo mês. O Paraná vai receber 1.824.640 doses para atingir a meta de imunizar 1.327.012 pessoas.
Em Londrina, segundo Sandra Caldeira da Vigilância Epidemiológica, a meta é vacinar 60 mil pessoas, principalmente as com mais de 60 anos, bebês de seis meses e menores de dois anos, profissionais da área de saúde e gestantes. Após esse prazo, a população dos presídios também será imunizada.
Embora desde a pandemia de 2010, a influenza pelo vírus H1N1 esteja sob controle, a evolução de gripes por influenza para casos mais graves que exigem internação ainda ocorre. De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde, em 2011 foram registrados 342 casos de influenza (vírus B, H1N1 e H3N1). Destes, 42 evoluíram para quadro grave exigindo internação. Como a notificação não é obrigatória, os números devem ser maiores.
Em Londrina, apenas em um dos hospitais terciários, em 2011, 251 pessoas foram internadas com gripe e resfriado. De acordo com Fazolo, o custo médio da internação pelo SUS é de R$ 700,00, o que geraria um gasto de R$ 175.700,00 com essas internações. Já a imunização delas, levando em conta o custo médio da dose de vacina para o Ministério de Saúde, de R$ 7,85, seria de R$ 1.970,35. O custo da dose da vacina foi calculado a partir do investimento total do governo federal, de R$ 260,3 milhões, na compra de 33.157.630, na campanha de vacinação deste ano.
Queda da produtividade
Fazolo afirma que além dos custos para a saúde pública, a gripe tem ainda gastos relacionados à queda da produtividade dos trabalhadores e afastamentos no trabalho. O pneumologista diz que os atestados de afastamento no trabalho por gripe são campeões no inverno. “Perdem apenas para dores nas costas.”
O diretor de uma empresa de Medicina do Trabalho em Londrina, Juciano Pires conta que a produtividade no trabalho cai em média entre 10% e 20%, dependendo do setor, em decorrência de gripes no inverno.
Na indústria, as gripes reduzem a produtividade entre 10% e 15%, além de gerar entre 1 a 3 afastamentos do trabalho de até quatro dias, para cada 30 funcionários.
Já na Construção Civil, a queda de produtividade chega a 20%. O pneumologista Fazolo destaca que em função destes problemas, a vacinação contra a gripe é bastante importante também entre os trabalhadores.
Já entre crianças e idosos, o pneumologista ressalta a importância da vacinação como forma de prevenção de casos mais graves, como a pneumonia. “O vírus fragiliza o sistema imunológico destas pessoas e há mais risco de complicações”, explica. “Em pessoas acima de 80 anos, por exemplo, a pneumonia é a doença que mais mata.”

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