quarta-feira, 20 de junho de 2012

Chuva faz Igapó transbordar de novo e põe cidade em alerta


>> Londrina voltou ao estado de alerta com as chuvas que caíram nas últimas 36 horas e o novo transbordamento do Lago Igapó. Houve desabamento de uma ponte no Distrito de Guairacá e pontos de alagamento em vários locais da cidade. O Parque Arthur Tomas (zona sul) foi fechado para visitação. Em entrevista à Rádio Brasil Sul, o secretário do Ambiente, Gilmar Domingues, disse que o grande volume de chuvas registrado na cidade saturou o terreno do parque. Com isso, o solo praticamente não absorve a água. O lago que fica localizado dentro do parque também transbordou. O abrigo Barra Funda, na região rural; e as pontes do Sabará e do Avelino Vieira (zona oeste) sofreram estragos. Segundo a meteorologista do Simepar, Ângela Beatriz da Costa, da 0 hora até às 16 horas de ontem, choveu 109,2 milímetros, mais da metade do acumulado do mês, que até ontem registrava 205,6 mm. Só para comparação, o acumulado de outubro de 2011, quando o Igapó transbordou pela primeira vez, foi de 278,3 mm.
Segundo informações da Defesa Civil, a água do Lago Igapó subiu, em média, dois metros por hora. A barragem não conseguiu dar conta do volume e houve alagamento da Avenida Almeida Garret. Até o fechamento dessa edição, não era possível afirmar se a reconstrução feita no local, depois das chuvas de outubro, iria suportar a vazão de água.
Pelo menos oito árvores caíram com a chuvarada. Toda a pista de caminhada do Igapó I, que vai do Zerão à barragem ficou embaixo d’água. O Córrego do Leme, que passa ao lado do Iate Clube, também transbordou. Um trecho da Rua Joaquim de Matos Barreto, entre a Avenida Maringá e Rua Prefeito Faria Lima, foi interditado. Um trecho da BR-369, entre Londrina e Ibiporã, também foi fechado. Uma casa teria desabado, mas sem vítimas, segundo informações do prefeito Barbosa Neto, que no início da noite de ontem, foi à barragem do Igapó vistoriar o local. Ele anunciou que o Moringão ficaria à disposição, a noite inteira, para atender famílias desabrigadas, se fosse o caso. “Teremos colchões, água e comida à disposição”, afirmou. Cerca de 40 guardas municipais passariam a noite monitorando a situação em toda a cidade. Ele disse que a Cohab estava fazendo levantamento na favela Cantinho do Céu, na zona norte.
Impermeabilização
O prefeito disse que não foi possível evitar novos alagamentos na cidade porque o Município não tinha dinheiro para fazer novas obras. “Nem conseguimos recuperar todo o estrago causado pela última chuva porque o governo federal não mandou dinheiro. O que conseguimos fazer foi com recursos próprios”, disse. E culpou administrações anteriores por permitir a “impermeabilização da Gleba Palhano” que, segundo ele, seria a principal causa do grande volume de água correndo para o Igapó. “A situação no Igapó não foi pior por conta da retirada de 14 caminhões de terra que fizemos nas últimas duas semanas”, garantiu. Ele disse que não anunciou o fato para a imprensa.
Segundo a meteorologista do Simepar, Ângela Costa, as chuvas dos últimos dias foram consequência de uma frente fria que ficou estacionada sobre a região, alimentada por alta umidade vinda das regiões tropicais. “Mas ela já está se locomovendo e, até sexta-feira, o tempo deve abrir”, afirmou.

Inverno deve ter pouca chuva
Apesar das chuvas constantes previstas para Londrina até sexta-feira, o inverno – que começa oficialmente hoje, às 20h09 – deve ficar dentro da normalidade, com tempo mais seco e frio. Este ano, não há nenhum fenômeno meteorológico – El Niño e La Niña, especificamente – influenciando o clima, segundo a meteorologista Ângela Beatriz Costa, do Simepar. De acordo com a meteorologista, o período deve registrar índices dentro das médias históricas, com a distribuição de chuvas mais regular em relação do outono. “Agosto deve ser o mês mais seco”, apontou. Na agricultura, a chuvarada já está deixando os produtores de trigo e milho preocupados. Segundo o agrônomo e consultor Jadir Fernandes de Miranda, a falta de luminosidade pode prejudica o milho e a umidade, causar doenças por fungos no trigo. “O café, além de ter a produtividade reduzida, também pode ser afetado na qualidade”, explicou.
Defesa Civil faz monitoramento
As chuvas que atingem diversas regiões do Paraná desde domingo colocaram a Coordenadoria da Defesa Civil do Estado em situação de alerta. Segundo o tenente Clayton Oliveira Lima, a Coordenadoria da Defesa Civil tem monitorado as precipitações por meio de boletins encaminhados ao órgão a cada três horas pelo Instituto Simepar. “Como a vazão [dos rios] deve ser maior, estamos comunicando as regionais, para que todos se preparem. O objetivo é minimizar o impacto”, disse. Para hoje, a previsão é de chuvas em todo o Paraná. Segundo o Simepar, no Norte e no Leste do Paraná a nebulosidade fica variável e as chuvas podem ocorrer a qualquer hora do dia. No Oeste e no Sul, as áreas de chuva devem diminuir gradativamente, até que o tempo se torne mais estável. Em Curitiba, a previsão é de que as chuvas se concentrem durante a manhã.
Gilberto Abelha/JL
Gilberto Abelha/JL  / A barragem do Lago Igapó não conseguiu dar conta do volume de água e houve alagamento da Avenida Almeida Garret Ampliar imagem
A barragem do Lago Igapó não conseguiu dar conta do volume de água e houve alagamento da Avenida Almeida Garret
Aeroporto cancelou mais de 50 voos

Cinquenta e cinco voos foram cancelados no aeroporto de Londrina entre segunda e terça-feira. O terminal fechou às 19h07 de segunda e até as 18h15 de ontem não havia reaberto para operações de pousos e decolagens. Segundo o superintendente da Infraero, Marcus Vinicius Pio, só neste mês, o terminal ficou fechado durante 72 horas. Em junho de 2011, o aeroporto precisou suspender as operações por apenas 23 horas.
Segundo Pio, a presença de neblina sobre a cidade impede a autorização dos procedimentos de pousos e decolagens. “Nem com ILS resolveria”, garantiu. Foram 17 cancelamentos na segunda-feira e 38 até as 18h15 de ontem. Até o fechamento desta edição, não havia previsão para reabertura do terminal. Com o saguão lotado de passageiros, o jeito foi abrir o auditório para a exibição de filmes.
“As empresas aéreas estão transferindo as pessoas para viagens de ônibus”, afirmou Pio. Segundo ele, mais de 50% dos passageiros que circulam pelo aeroporto de Londrina são empresários, ou seja, perderam um dia de trabalho por conta do transtorno causado pelos cancelamentos de voos. Do começo do ano até agora, o terminal de Londrina já ficou fechado por mais de 180 horas.
Trânsito
O fluxo de veículos nas ruas de Londrina aumenta 25% em dias de chuva. De acordo com o diretor de Trânsito e Transportes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson de Jesus, o mau tempo também faz crescer a procura pelos ônibus do transporte coletivo na cidade. Cerca de 8% da população procura o serviço em dias chuvosos, segundo o diretor da CMTU. Esse incremento de veículos no trânsito, que acaba ficando mais lento, exige mais atenção por parte dos motoristas.
O diretor da CMTU, Wilson de Jesus, ressaltou que o mau tempo acaba gerando engarrafamentos, principalmente no quadrilátero central da cidade. Apesar de o trânsito ficar mais lento, aumenta a possibilidade de acidentes de menor gravidade. Segundo ele, a combinação de vários fatores como a chuva, às vezes neblina, redução de velocidade, asfalto molhado e possibilidade de perda de contato entre a borracha do pneu e a via contribuem para as ocorrências. Em dias de chuva, Wilson Jesus orientou para a necessidade de manter os faróis ligados para aumentar a visibilidade no trânsito.

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