As análises são demoradas em razão do pouco número de auditores. “Vou pedir a criação de uma força-tarefa para analisar essas contas”, revela. Ela ainda conta que o Ministério Público tem, desde a última quarta-feira, um ano para concluir as investigações. A promotora transformou os procedimentos iniciais em inquérito civil.
Há uma preocupação em fiscalizar a omissão das instituições, diz a responsável pelas investigações no Núcleo de Proteção ao Patrimônio Público, do Ministério Público, promotora Adriana Câmara. A Polícia Civil até enviou algumas justificativas, “mas não esclareceu nada”, ressalta. Segundo a promotora, o Núcleo recebeu denúncias anônimas de outras promoções de delegados que podem ser irregulares. O caso será investigado.
Promoções
Os delegados denunciados em maio na reportagem podem ser promovidos de 2ª para 1ª classe a partir de 23 de janeiro de 2013. Pelo artigo 43 do estatuto da instituição, o policial civil não pode concorrer à promoção e acesso nessas condições, conforme redação dada pela Lei Complementar n.º 19/83.
Entre os denunciados, os delegados Itiro Hashitani e Leonídia Hecke estão indicados para ascender de posto. Três dos cinco delegados que compõem o Conselho da Polícia Civil, autor da indicação, também foram flagrados pela reportagem usando viaturas da corporação para fins próprios.
O delegado Itiberê Toniolo, também na lista das promoções, pagou R$ 7 mil com dinheiro público por uma placa de identificação para delegacia de Guaraqueçaba. O problema é que a unidade está desativada há mais de dez anos. Apesar disso, Toniolo não chegou a ser investigado pela corporação.
O Conselho já havia arquivado investigações internas de outros três delegados da cúpula da Polícia Civil flagrados pela reportagem. São eles o chefe da Corregedoria, Paulo Ernesto Araújo Cunha; o ex-chefe do Grupo Auxiliar de Planejamento, Luciano de Pinho Tavares; e o ex-chefe da Divisão de Infraestrutura, Benedito Gonçalves Neto. O Conselho reconheceu o uso indevido de carros oficiais para fins particulares, mas considerou que os policiais tinham direito de usá-los como veículo de representação, ignorando ser essa uma prerrogativa apenas do governador, secretários de Estado e magistrados.
Doze delegados serão promovidos de 2ª para 1º classe por antiguidade. Quem encabeça a lista é Itiro Hashitani, flagrado várias vezes em maio pela reportagem da Gazeta do Povo desviando de função um investigador da Polícia Civil para levar e buscar o filho dele na escola com uma viatura descaracterizada da corporação.
Outros 19 delegados serão promovidos por merecimento em listas tríplices. Sete delas, porém, só têm um nome listado e outras 12 têm apenas dois nomes. Em uma delas aparece sozinha a delegada Leonídia Hecke, também flagrada várias vezes pela reportagem usando uma viatura descaracterizada da Polícia Civil para levar e buscar o filho na escola.
Segundo nome na oitava lista tríplice, o delegado Luciano de Pinho Tavares teve sua investigação interna arquivada. Ele foi flagrado usando um carro oficial da corporação em benefício próprio, para ir e vir ao trabalho, deixando-o à disposição na garagem de seu condomínio.
A lista foi elaborada pelo Conselho da Polícia Civil para apreciação do secretário de Estado da Segurança Pública, Cid Vasques. Se aprovadas, as promoções entram em vigor a partir de 23 de janeiro do ano que vem.
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