O índice de infestação do mosquito da dengue em Londrina está oito vezes acima do que é considerado satisfatório para a Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo dados do Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), divulgados ontem, o índice está em 8%. No mesmo período do ano passado, era de 1,7%. Os números de 2013 são os piores já registrados desde 1998, quando a infestação alcançou um nível de 19,4%.
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Para os moradores, os recicladores não têm dado o devido cuidado com o material coletado, o que propicia o acúmulo de água e agrava a situação. O morador Valdecir Antonio Moura disse que a dengue “está por todo lugar”. “É larva e mosquito por toda parte, o pessoal daqui até se preocupa, mas os recicladores não estão nem aí.”
Em frente à casa de Lurdes Maria da Silva, 59 anos, o lixo reciclável e o entulho tomam conta. Ela já teve dengue e por ter crianças em casa se preocupa em não deixar água parada. “Eu me preocupo, se vejo um pouquinho de água já dou sumiço, mas os vizinhos não estão ligando muito. E se a gente fala alguma coisa acaba arranjando briga”.
Toda a família de Valmir Lima da Silva, 54 anos, já teve dengue: ele, a mulher e os dois filhos. Silva mora ao lado de uma casa de reciclagem e explicou que é muito lixo a céu aberto. “É muito reciclável, e por mais que esteja tudo organizado quando chove é lógico que acumula água.”
De acordo com a coordenadora da UBS do bairro, Fernanda Jorge Giovine, de 2012 até hoje a unidade registrou quatro casos de dengue e 69 notificações.
(Gabriela Baptistotti)
A área central é a região com maior concentração de larvas do mosquito: 8,88%. A zona leste, historicamente a mais afetada por infestações e casos da doença, ocupa a terceira posição com 7,97%, atrás da zona oeste (8,12%) e à frente da norte (7,77%) e da sul (7,51%).
No entanto, é na região leste que está localizado o bairro onde o cenário é mais preocupante. Os números do LIRAa indicam que a infestação do mosquito da dengue na Vila Ricardo é de 15,38%. “De certa forma o índice de infestação altíssimo nos surpreendeu. Esperávamos números altos, mas não tão altos”, admitiu o secretário municipal de Saúde, Francisco Eugênio de Souza.
No levantamento de outubro de 2012, o índice de infestação era de apenas 1%. O secretário argumentou que naquele mês ocorreu “um período de seca e as temperaturas estavam amenas”. O coordenador do setor de Endemias, Elson Belisário, explicou que estudos apontam que a umidade e o calor contribuíram para a proliferação do mosquito. Quanto à estatística alarmante, Belisário ponderou: “não podemos culpar a população por isso. É normal quando se está numa situação confortável, nos acomodarmos. Mas o número é bastante preocupante e nós temos poucos dias para tentar reverter essa situação na cidade de Londrina”.
Até o momento foram registrados seis casos da doença, todos importados. Os pacientes foram contaminados nos estados do Mato Grosso e de Goiás, além do município paranaense de Peabiru. “Não temos nenhum caso de Londrina, mas existe a suspeita de que os casos vindos de fora possam ser do tipo 4, já que nesses lugares existem casos desse tipo confirmados”, confessou Belisário.
O levantamento apontou ainda que foram localizados 907 focos de dengue na cidade. Desse total, 225 focos estavam na zona norte, 194 na oeste, 168 na sul, 165 na central e 155 na leste. “Os principais focos ainda são latas, garrafas e plásticos descartados de forma irregular em quintais, terrenos baldios e fundos de vale”, revelou.
O recolhimento destes materiais está comprometido em Londrina devido à necessidade de retirar os entulhos que estão no barracão do Instituto Brasileiro do Café. A Diretoria de Operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização informou que não é possível realizar as caravanas de recolhimento já que faltam espaços para o descarte dos materiais.
Diante dos resultados do LIRAa, as primeiras atividades de combate ao mosquito começam hoje e se estendem até amanhã, com visita de 152 agentes de endemias em várias regiões da cidade. “Vamos adotar um plano de ação e intensificar os trabalhos em 16 localidades, além da manutenção de atividades nas áreas críticas a cada 30 dias”, adiantou Belisário.
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Com 15,38%, Vila Ricardo tem pior índice de infestação
Segundo o Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) apresentado ontem pela Secretaria Municipal de Saúde a Vila Ricardo, zona leste de Londrina, tem o pior índice de infestação dos bairros da cidade, 15,38% dos imóveis têm focos do mosquito da dengue.Para os moradores, os recicladores não têm dado o devido cuidado com o material coletado, o que propicia o acúmulo de água e agrava a situação. O morador Valdecir Antonio Moura disse que a dengue “está por todo lugar”. “É larva e mosquito por toda parte, o pessoal daqui até se preocupa, mas os recicladores não estão nem aí.”
Em frente à casa de Lurdes Maria da Silva, 59 anos, o lixo reciclável e o entulho tomam conta. Ela já teve dengue e por ter crianças em casa se preocupa em não deixar água parada. “Eu me preocupo, se vejo um pouquinho de água já dou sumiço, mas os vizinhos não estão ligando muito. E se a gente fala alguma coisa acaba arranjando briga”.
Toda a família de Valmir Lima da Silva, 54 anos, já teve dengue: ele, a mulher e os dois filhos. Silva mora ao lado de uma casa de reciclagem e explicou que é muito lixo a céu aberto. “É muito reciclável, e por mais que esteja tudo organizado quando chove é lógico que acumula água.”
De acordo com a coordenadora da UBS do bairro, Fernanda Jorge Giovine, de 2012 até hoje a unidade registrou quatro casos de dengue e 69 notificações.
(Gabriela Baptistotti)
No entanto, é na região leste que está localizado o bairro onde o cenário é mais preocupante. Os números do LIRAa indicam que a infestação do mosquito da dengue na Vila Ricardo é de 15,38%. “De certa forma o índice de infestação altíssimo nos surpreendeu. Esperávamos números altos, mas não tão altos”, admitiu o secretário municipal de Saúde, Francisco Eugênio de Souza.
No levantamento de outubro de 2012, o índice de infestação era de apenas 1%. O secretário argumentou que naquele mês ocorreu “um período de seca e as temperaturas estavam amenas”. O coordenador do setor de Endemias, Elson Belisário, explicou que estudos apontam que a umidade e o calor contribuíram para a proliferação do mosquito. Quanto à estatística alarmante, Belisário ponderou: “não podemos culpar a população por isso. É normal quando se está numa situação confortável, nos acomodarmos. Mas o número é bastante preocupante e nós temos poucos dias para tentar reverter essa situação na cidade de Londrina”.
Até o momento foram registrados seis casos da doença, todos importados. Os pacientes foram contaminados nos estados do Mato Grosso e de Goiás, além do município paranaense de Peabiru. “Não temos nenhum caso de Londrina, mas existe a suspeita de que os casos vindos de fora possam ser do tipo 4, já que nesses lugares existem casos desse tipo confirmados”, confessou Belisário.
O levantamento apontou ainda que foram localizados 907 focos de dengue na cidade. Desse total, 225 focos estavam na zona norte, 194 na oeste, 168 na sul, 165 na central e 155 na leste. “Os principais focos ainda são latas, garrafas e plásticos descartados de forma irregular em quintais, terrenos baldios e fundos de vale”, revelou.
O recolhimento destes materiais está comprometido em Londrina devido à necessidade de retirar os entulhos que estão no barracão do Instituto Brasileiro do Café. A Diretoria de Operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização informou que não é possível realizar as caravanas de recolhimento já que faltam espaços para o descarte dos materiais.
Diante dos resultados do LIRAa, as primeiras atividades de combate ao mosquito começam hoje e se estendem até amanhã, com visita de 152 agentes de endemias em várias regiões da cidade. “Vamos adotar um plano de ação e intensificar os trabalhos em 16 localidades, além da manutenção de atividades nas áreas críticas a cada 30 dias”, adiantou Belisário.
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