Os ladrões, quase sempre menores em duplas, chegam ao local como se fossem clientes e em horário de pouco movimento. Depois de uma rápida observação, eles apontam uma arma para o dono ou para o funcionário do posto, anunciam o assalto e limpam o caixa.
As imagens dos assaltos são registradas pelas câmeras do circuito interno, mas a identificação se torna quase impossível porque os assaltantes usam capacetes ou estão encapuzados. Segundo as vítimas, é possível perceber que os assaltantes são jovens.O posto do empresário Ivo Martins foi assaltado duas vezes na última semana de janeiro e ele imagina que tenha sido por grupos diferentes. Martins acredita que a onda de assaltos na cidade se deve à crise financeira no País, a última vez que seu estabelecimento havia sido ''visitado'' antes da atual onda de assaltos foi há mais de um ano.
O empresário Agnaldo Godoy Júnior, dono de outro posto na cidade, está preocupado com a falta de segurança. O posto dele também foi assaltado na última semana de janeiro. Ele pensa, inclusive, em reunir parte da sociedade para fazer uma manifestação contra a falta de segurança, alegando que outros tipos de comércio e residências também estão no foco dos assaltantes.
A funcionária Roseane Pitoli estava no caixa do posto onde trabalha no dia de assalto. Ela conta que o frentista estava ocupado e ela mesma foi atender uma dupla que chegou de moto. O garupa desceu com uma arma na mão, rendeu o frentista e dois clientes, pegou o dinheiro do caixa e foi embora com seu comparsa.
Roseane diz que não houve violência física naquele momento, mas acha que os trabalhadores correm risco de vida diante de tanta insegurança porque soube de dois casos de funcionários que foram vítimas de agressão. Ela sugere que seja feito um abaixo assinado para pedir mais policiamento na cidade.
Na maioria das vezes, os assaltantes agem sem agredir os donos ou funcionários dos postos, mas em alguns momentos efetuam disparos perto dos caixas para intimidar as pessoas.
Os comerciantes dizem que a recente onda de assaltos está diretamente associada à falta de policiamento na cidade. Segundo eles, o problema poderia ser resolvido com o aumento do efetivo policial da cidade e com a polícia estando mais bem equipada.
O comandante do 18º Batalhão da Polícia Militar de Cornélio Procópio, tenente-coronel Fábio Luiz Rincoski, diz que há um ''certo terrorismo'' nesta história de Jataizinho porque, segundo ele, não há tantas ocorrências na cidade como relatam os comerciantes.
Rincoski pediu um levantamento da situação nos últimos dias ao setor de comunicação da batalhão e foi informado que houve o registro de ''apenas'' dois assaltos a postos e um a supermercado. O sargento Moré admite que possa ter ocorrido outros assaltos, mas que eles não foram registrados.
Segundo ele, os assaltos, na maioria das vezes, são praticados por menores, já conhecidos da polícia, que são encaminhados à Justiça, mas liberados logo em seguida.
"Transição"
A cidade de Jataizinho vive uma situação peculiar, que alguns preferem definir como ''transição''. Até julho do ano passado, o município pertencia à Comarca de Uraí, mas por uma questão de proximidade e por fazer parte da Região Metropolitana de Londrina, a jurisdição foi transferida para a cidade de Ibiporã. A mudança ainda não foi bem assimilada pelos comerciantes.
Quanto à segurança, pelo menos por enquanto, a cidade está sob a jurisdição do batalhão de Cornélio Procópio, mas há informações de que haverá mudança também neste sentido. O sargento Moré diz que realmente há esta possibilidade, mas que a mudança depende de uma ação de governo e não do comando do batalhão.
Para os comerciantes, a onda se assaltos pode ser atribuída a esta indefinição. (Com informações do repórter Eli Araujo da Folha Web)
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