No dia seguinte, coincidentemente, conforme relatou a atriz, o final também exigiu que os atores tirassem a roupa. “Novamente caiu o final de ouros, a chance é de 25%”, disse a atriz. Segundo ela, na terça-feira a polícia deslocou quatro viaturas para o local. “Vieram em grande número, disponibilizaram uma estrutura relativamente grande. As viaturas começaram a se aproximar, a ligar as luzes e os policiais cruzaram a roda, dois com arma em punho, e se posicionaram no nosso lado na cena. Eles não falaram para parar, mas nós não conseguimos continuar. O público ficou revoltado”, afirmou Raiter.
Procurada pela equipe de reportagem, a Polícia Militar confirmou que interveio no espetáculo. Disse que recebeu uma reclamação de populares de que havia nudez em espaço público e que advertiu os integrantes que o ato configura atentado ao pudor. Segundo a Polícia Militar, foi alertado que o grupo poderia ficar de peças íntimas. Ainda de acordo com a polícia, o elenco concordou. A polícia destacou que a nudez em público desrespeita o Código Penal e o Estatuto da Criança e do Adolescente.
"Achei bem forte como a policia daqui se posicionou”, considerou Raiter. O espetáculo é encenado desde agosto de 2011 e, de acordo com a atriz, apenas em uma apresentação, em Florianópolis, também houve intervenção policial. Ela contou que na ocasião comerciantes reclamaram mais do barulho e do tumulto do que da própria nudez da peça. “Era uma série de 14 apresentações. A polícia teve muito mais oportunidades”, disse a atriz.
Na quarta-feira (3), haverá uma nova apresentação de Hasard, às 18h, na quadra que compreende a Praça Zacarias, Rua XV de Novembro, Travessa Oliveira Brito e Al. Dr. Muricy. Caso a interação provoque o final de ouros, diferente do que ocorreu na terça-feira, o grupo vai representá-lo, garantiu a atriz. Segundo ela, o apoio que elenco recebeu do público diante na presença policial foi primordial para que ele mantivesse a proposta do espetáculo. "Fiquei muito surpresa como o público se colocou. Eu não sabia que teríamos o respaldo do público. Eu vi que não estávamos sozinhos, nós tínhamos o respaldo das pessoas”, disse a atriz.
“A gente vive numa sociedade onde a sensualidade, o sexo é explorado vividamente. Eu tenho uma filha de sete anos que já viu coisa na televisão que nem se aproxima ao corpo nu. A gente apenas se desfaz dos bens materiais, é uma ação muito ritualística. Eu não consigo ver como isso pode perturbar, ser um atentado”, finalizou. (Redação G1 Paraná)
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