Antes de ir à delegacia, ele falou rapidamente com a imprensa e disse que "só pedia a Deus" por sua vida e pela vida do autor do sequestro. Amaral disse que foi confundido com o padre e, por isso, foi escolhido como vítima. "Só pedia a Deus pela minha vida e pela vida dele [o autor do sequestro]. Ele achou que eu era o padre, ele me escolheu", relatou o religioso.
O responsável pelo sequestro é Carlos Alberto de Souza Júnior, de 35 anos, segundo a Polícia Civil. Ele, que não tem antecedentes criminiais, seria morador da comunidade do Cantagalo e teria problemas psicológicos, segundo familiares. O caso foi encaminhado para a 14ª DP (Leblon). Carlos Alberto vai pernoitar no local e, na segunda-feira, seguirá para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste. Ele vai responder por roubo qualificado, tentativa de homicídio e sequestro.
A invasão ao templo aconteceu instantes após o roubo de uma drogaria, na altura da Rua Garcia D'Ávila. Clientes de um restaurante próximo ao local se desesperaram e se jogaram no chão. Na fuga, um dos criminosos trocou tiros com um PM que percebeu a movimentação. Eles tentaram fugir, rendendo um taxista. O motorista Pedro Eduardo Gomes de Mesquita, de 51 anos, reagiu. Ele disse que viveu momentos de tensão. "Ele bateu na porta do carro, eu pensei que era para pedir informação e abri o vidro e ele apontou a arma", disse o taxista.
Ato contínuo, o motorista do táxi agarrou o revólver, que foi puxado pelo autor do sequestro. O dedo do motorista ficou preso e sofreu um corte. Ele foi levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas já teve alta após receber dez pontos na mão direita.
Sem conseguir fugir, Carlos Alberto correu armado para a igreja, onde a missa das 16h30 era realizada, enquanto o comparsa fugiu. Houve correria, mas as outras pessoas conseguiram deixar o local da missa.
Valéria Aragão, titular da Delegacia de Combate aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DCPIM), estava entre as fiéis que foram surpreendidas na igreja. Em conversa com agentes, ela ouviu relatos de que o pai do jovem e a irmã estavam no local e poderiam ser utilizados na negociação. Os familiares contaram que o jovem faz tratamento contra esquizofrenia há mais de 10 anos e faz uso de bebida alcoólica.
Ele é apontado pelos parentes como uma pessoa agressiva, apesar de não ter antecedentes criminais. Durante a ação, Carlos Alberto repetia que o comparsa teria sido morto e, por isso, pediu a presença de jornalistas na igreja para que sua integridade física fosse preservada. "Tudo foi pensado e feito para que transcorrese da maneira mais segura possível", minimizou a delegada. (Redação G1 RJ / Foto: José Conde)
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