segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Câmbio 'controlado' vai atrair investidor

Investidores estrangeiros trouxeram US$ 28 bilhões em capital especulativo para o Brasil nos últimos 12 meses. O movimento foi favorecido pelas altas taxas de juros e também pela estabilidade da moeda em função do esforço do Banco Central em controlar o câmbio. Esse capital tem ajudado o País a financiar o déficit de suas contas externas no curto prazo, mas pode se tornar um problema no longo prazo. Uma notícia ruim nos mercados, uma crise, pode fazer com que os investidores levem este dinheiro embora, o que pode causar uma forte alta no dólar e pressionar a inflação.

O Banco Central diz que estes recursos estão sendo aplicados em títulos de longo prazo e representam a confiança do investidor em ativos financeiros nacionais. Mas o que analistas, executivos de bancos e economistas dizem é que boa parte do dinheiro, apesar de estar em títulos de longo prazo, chegou por meio de um tipo de investimento tipicamente especulativo chamado "carry trade".

A expressão em inglês não tem tradução para o português, mas não é difícil de entender. Basicamente o que o investidor estrangeiro faz é tomar dinheiro emprestado a juros baixos em países como Estados Unidos ou Japão e aplicar este mesmo recurso em países de juros mais altos. O ganho está na diferença entre esses dois juros, que pode chegar a 10% ao ano. Para o investidor estrangeiro, é um retorno extraordinário. Os japoneses, por exemplo, só ganham 0,53% ao ano se aplicarem em títulos de seu país.

Mas o "carry trade" é uma operação arriscada, pois depende da variação da moeda em que o recurso for aplicado. Se o dólar sobe, a perda pode ser grande e é por esse motivo que este capital é tão volátil e vai embora rapidamente com qualquer mudança de expectativa. Por isso, este tipo de investidor busca uma combinação de juro alto e moeda estável.

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