quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Idoso de 90 anos e de cama há seis, tem que ser carregado para recadastrar aposentadoria em Jacarezinho

Um homem de 90 anos, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) grave, precisou ser carregado no colo para recadastrar sua aposentadoria em um banco em Jacarezinho, no norte do Paraná, segundo a família dele. O idoso não tem condições de andar, falar e entende pouco do que é dito a ele, de acordo com o genro, Adalberto Rodrigues.

O aposentado está de cama há seis anos, ainda conforme o familiar, em virtude da doença. Na sexta-feira (30), ele foi levado à agência bancaria do Itaú em um carro, sem a cadeira de rodas que tem - o equipamento, antigo, não dobra ou desmonta e, por isso, não entra no porta-malas. A esperança era de que houvesse uma forma de transportá-lo na agência ou que alguém o atendesse no veículo - já que, conta o genro, só era preciso colher uma impressão digital.

"Meu sogro é um senhor da roça, muito simples e muito doente. Ele vive acamado há muito tempo, é paraplégico, e não tem condição nenhuma de entrar no banco. Nós levamos ele ao banco para provar que ele esta vivo e, assim, receber a aposentadoria em dia. O problema é que a cadeira de rodas dele é velha e não cabe no carro. Eu tinha até convencido a funcionária a atender lá fora do banco, mas o gerente chegou e disse que entrar de qualquer jeito", relata Rodrigues.

O parente afirma que precisou pedir ajuda na rua, a quem passava por lá, para carregar o homem até a cadeira de espera (convencional) do banco. Quem se dispôs a ajudar foi o funcionário público Edilson da Luz.

"Eu estava na rua e o Adalberto veio para me pedir ajuda. Tivemos que fazer 'cadeirinha' [entrelaçar os braços para que a pessoa sente] para levá-lo para dentro. Fiquei bobo com a situação. Foi a cena mais humilhante que eu vi na minha vida", diz.

O idoso ainda esperou cerca de 20 minutos para ser atendido. "Acho que é porque somos humildes, pouco estudados, que trataram a gente assim. Se fosse gente rica, eu queria ver se seria igual. Minha mulher não pôde ir ao banco porque estava trabalhando. Ela chorou quando eu contei a história", relembra o genro.

O G1 procurou o Itaú, que afirmou que está averiguando o caso antes de se pronunciar. Até as 18h de segunda-feira (2), não havia retorno do banco. (Redação e foto: G1 PR)

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