O aposentado está de cama há seis anos, ainda conforme o familiar, em virtude da doença. Na sexta-feira (30), ele foi levado à agência bancaria do Itaú em um carro, sem a cadeira de rodas que tem - o equipamento, antigo, não dobra ou desmonta e, por isso, não entra no porta-malas. A esperança era de que houvesse uma forma de transportá-lo na agência ou que alguém o atendesse no veículo - já que, conta o genro, só era preciso colher uma impressão digital.
"Meu sogro é um senhor da roça, muito simples e muito doente. Ele vive acamado há muito tempo, é paraplégico, e não tem condição nenhuma de entrar no banco. Nós levamos ele ao banco para provar que ele esta vivo e, assim, receber a aposentadoria em dia. O problema é que a cadeira de rodas dele é velha e não cabe no carro. Eu tinha até convencido a funcionária a atender lá fora do banco, mas o gerente chegou e disse que entrar de qualquer jeito", relata Rodrigues.
O parente afirma que precisou pedir ajuda na rua, a quem passava por lá, para carregar o homem até a cadeira de espera (convencional) do banco. Quem se dispôs a ajudar foi o funcionário público Edilson da Luz.
"Eu estava na rua e o Adalberto veio para me pedir ajuda. Tivemos que fazer 'cadeirinha' [entrelaçar os braços para que a pessoa sente] para levá-lo para dentro. Fiquei bobo com a situação. Foi a cena mais humilhante que eu vi na minha vida", diz.
O idoso ainda esperou cerca de 20 minutos para ser atendido. "Acho que é porque somos humildes, pouco estudados, que trataram a gente assim. Se fosse gente rica, eu queria ver se seria igual. Minha mulher não pôde ir ao banco porque estava trabalhando. Ela chorou quando eu contei a história", relembra o genro.
O G1 procurou o Itaú, que afirmou que está averiguando o caso antes de se pronunciar. Até as 18h de segunda-feira (2), não havia retorno do banco. (Redação e foto: G1 PR)
Nenhum comentário:
Postar um comentário