sábado, 16 de maio de 2015

Funcionária de leiloeira aplica golpe de R$ 2 milhões em Ibaiti

A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar uma denúncia de estelionato cometido por uma funcionária de uma leiloeira, em Ibaiti (108 Km de Cornélio Procópio), que pode ultrapassar os R$ 2 milhões. Em menos de um mês, três pessoas procuraram a 37ª Delegacia Regional de Polícia Civil alegando terem sido vítimas da golpista, que usava cheques desviados dos clientes para descontar com agiotas.

De acordo com delegado Pedro Dini Neto, responsável pelas investigações, no dia 29 de abril a primeira vítima o procurou para denunciar o golpe, porém, as investigações foram intensificadas no início desta semana, depois que outras duas pessoas procuraram a delegacia. “Já havíamos instaurado inquérito no final de abril para investigarmos as denúncias. No entanto, o caso ganhou proporção no começo desta semana. Em apenas dois dias foram registrados dois boletins de ocorrência de supostas vítimas no mesmo golpe”, disse Pedro Dini.

Segundo as vítimas, o golpe era aplicado a partir dos pagamentos de lotes de gado adquiridos nos leilões. Os compradores deixavam os talões de cheque com a funcionária da leiloeira para que fossem preenchidos conforme os parcelamentos. Em um dos casos, a vítima havia inclusive assinado o talonário antes mesmo dos cheques serem preenchidos. Durante a prestação do serviço, a funcionária aproveitava a oportunidade e retirava algumas folhas dos talões - inclusive com os canhotos - sem que os clientes dessem falta do documento, que posteriormente eram preenchidos e tinha as assinaturas falsificadas, e descontados com agiotas na cidade.

Para o delegado Pedro Dini, o golpe pode ter rendido algo em torno de R$ 500 mil à estelionatária. No entanto, a movimentação dos documentos desviados pode ultrapassar os R$ 2 milhões. “Ao que tudo indica, os cheques tinham valores altos, o que renderiam quantias expressivas aos agiotas. Por se tratar de pessoas idôneas e de posses na cidade, quem trocava os cheques sequer realizava consultas para saber a procedência dos documentos. Os cheques descontados eram pré-datados e substituídos por outros documentos de maior valor próximo ao vencimento, operação que alimentava a ambição dos agiotas, que ainda devolviam parte do valor à golpista. O sistema, segundo uma avaliação prévia dos diretores da leiloeira teve início há sete anos e se transformou em uma ‘bola de neve’, que pode ter rendido mais de meio milhão à ex-funcionária. Entretanto, os documentos em posse dos agiotas podem totalizar mais de R$ 2 milhões”, avaliou.

O esquema só foi descoberto porque um dos cheques acabou consultado por um agiota. O fato chamou a atenção do proprietário do documento que procurou a empresa e depois a polícia para registrar o caso. Entretanto, conforme o delegado, nenhuma das vítimas que registrou boletim de ocorrência foi lesada financeiramente.

Pedro Dini informou que pretende ouvir a acusada nos próximos dias, e depois tentar identificar os agiotas, algo que o delegado admite ser pouco provável. (Redação Informe Policial)

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