De acordo com delegado Pedro Dini Neto, responsável pelas investigações, no dia 29 de abril a primeira vítima o procurou para denunciar o golpe, porém, as investigações foram intensificadas no início desta semana, depois que outras duas pessoas procuraram a delegacia. “Já havíamos instaurado inquérito no final de abril para investigarmos as denúncias. No entanto, o caso ganhou proporção no começo desta semana. Em apenas dois dias foram registrados dois boletins de ocorrência de supostas vítimas no mesmo golpe”, disse Pedro Dini.
Segundo as vítimas, o golpe era aplicado a partir dos pagamentos de lotes de gado adquiridos nos leilões. Os compradores deixavam os talões de cheque com a funcionária da leiloeira para que fossem preenchidos conforme os parcelamentos. Em um dos casos, a vítima havia inclusive assinado o talonário antes mesmo dos cheques serem preenchidos. Durante a prestação do serviço, a funcionária aproveitava a oportunidade e retirava algumas folhas dos talões - inclusive com os canhotos - sem que os clientes dessem falta do documento, que posteriormente eram preenchidos e tinha as assinaturas falsificadas, e descontados com agiotas na cidade.
Para o delegado Pedro Dini, o golpe pode ter rendido algo em torno de R$ 500 mil à estelionatária. No entanto, a movimentação dos documentos desviados pode ultrapassar os R$ 2 milhões. “Ao que tudo indica, os cheques tinham valores altos, o que renderiam quantias expressivas aos agiotas. Por se tratar de pessoas idôneas e de posses na cidade, quem trocava os cheques sequer realizava consultas para saber a procedência dos documentos. Os cheques descontados eram pré-datados e substituídos por outros documentos de maior valor próximo ao vencimento, operação que alimentava a ambição dos agiotas, que ainda devolviam parte do valor à golpista. O sistema, segundo uma avaliação prévia dos diretores da leiloeira teve início há sete anos e se transformou em uma ‘bola de neve’, que pode ter rendido mais de meio milhão à ex-funcionária. Entretanto, os documentos em posse dos agiotas podem totalizar mais de R$ 2 milhões”, avaliou.
O esquema só foi descoberto porque um dos cheques acabou consultado por um agiota. O fato chamou a atenção do proprietário do documento que procurou a empresa e depois a polícia para registrar o caso. Entretanto, conforme o delegado, nenhuma das vítimas que registrou boletim de ocorrência foi lesada financeiramente.
Pedro Dini informou que pretende ouvir a acusada nos próximos dias, e depois tentar identificar os agiotas, algo que o delegado admite ser pouco provável. (Redação Informe Policial)
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