sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Contrato da Petrobras quitou dívida da campanha de Lula em 2006, diz delator

Um contrato de US$ 1,6 bilhão assinado pelo Grupo Schahin com a Petrobras, entre 2006 e 2007, para operação do navio-sonda Vitoria 10000 fez parte da quitação de uma dívida de campanha do PT com a empresa referente à campanha eleitoral de reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É o que afirmou Eduardo Musa, ex-gerente-geral da Diretoria Internacional, em delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato.

"Foi explicado que havia uma dívida de campanha presidencial do PT de R$ 60 milhões junto ao Banco Schahin e que para quitá-la o governo utilizaria do contato de operacionalização da sonda Vitoria 10.000", contou Musa, em depoimento prestado no dia 21 de agosto.

Musa, que não chegou a ser preso pela Lava Jato, atuou na Diretoria Internacional da Petrobras de 2006 a 2009, sob o comando de dois ex-diretores que estão detidos em Curitiba - sede das investigações de corrupção na estatal -, Nestor Cerveró e Jorge Zelada. De acordo com as investigações, a área era uma cota do PMDB no esquema de fatiamento político das diretorias da estatal para arrecadação de propina sistematizado a partir de 2004.

"Foi explicado por Cerveró e Moreira para o declarante que esta nova sonda (Vitoria 10000) deveria ser operada pela Schahin Engenharia", explicou o delator. "Em relação ao motivo de contratação da Schahin, foi explicado por Cerveró e Moreira que havia sido recebida uma ordem 'de cima' para que se procedesse desta forma", registrou a força-tarefa da Lava Jato.

"(Musa) não perguntou quem era a pessoa de cima mas, do contexto, imaginou que esta pessoa seria Sergio Gabrielli, então presidente da Petrobras." Gabrielli foi citado na Lava Jato.
Foi na gestão de Gabrielli como presidente que saíram os dois projetos dos navios-sonda Petrobras 10000 e Vitoria 10000, feitos pela Diretoria de Internacional, que teriam envolvido propina de US$ 35 milhões pagos pelo estaleiro Samsung Heavy Industries, em sua fase de construção. Foi desse montante que saíram os US$ 5 milhões dirigidos ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). 

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