quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Londrina tem 42 vagas para médicos plantonistas "desocupadas";

DivulgaçãoA rede municipal de saúde, em Londrina, está com as escalas de plantão desfalcadas. De acordo com informações divulgadas pela prefeitura, 42 vagas para médicos plantonistas estão "desocupadas, por decorrência de processos de exoneração de servidores diversos". Os dados integram a justificativa de um projeto de lei, em discussão na Câmara de Vereadores nesta terça-feira (13), que prevê a extinção de cinco desses 42 cargos para a criação de cinco novas vagas para médicos pediatras. Conforme o município, os postos desocupados não podem ser preenchidos de imediato por conta "da inexistência de concurso público vigente" para plantonistas. Ou seja, o poder público ainda não sabe quando vai contratar mais médicos e, consequentemente, aumentar o número de profissionais nas unidades de pronto atendimento.
O município também não divulgou se os 42 plantonistas foram exonerados ou pediram demissão.

Já os cargos de pediatras a serem criados, conforme o Executivo, serão preenchidos por profissionais que passaram no último concurso público da Secretaria de Saúde. Ainda segundo a prefeitura, os médicos vão ajudar a preencher as escalas de plantão do Pronto Atendimento Infantil (PAI). Atualmente, os médicos que atuam na unidade precisam fazer horas extras para preencher todas as escalas de plantão.

O município também argumenta, na justificativa do projeto, que o pediatra do PAI "divide seu atendimento em consultas, intervenções de urgência e emergência, e avaliações e reavaliações durante seu período de trabalho"; e que o atendimento, em alguns casos, precisa ser especializado e de longa duração, já que crianças permanecem em estado de observação no PAI por até 24 horas, "aguardando a melhora do quadro clínico, tratamento e exames não disponíveis" na unidade, "além de transferências para hospitais de referência".

No início deste mês, uma médica do PAI chamou a polícia após chegar ao local para fazer plantão e constatar que os outros dois profissionais escalados com ela teriam furado as escalas.

A prefeitura conclui informando que a criação dos cinco cargos para pediatra não acarretará em aumento do orçamento para o município, uma vez que cinco das 42 vagas para plantonistas serão extintas.

Pelo projeto, o pediatra a ser contratado ganhará R$ 10.982,46 por 20 horas semanais de trabalho.

'Principal desafio'

Procurado pelo Bonde nesta terça-feira, o novo secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, definiu o déficit de médicos como o "principal desafio" dele à frente da pasta. Na avaliação do secretário, o que afasta os profissionais da rede municipal é a remuneração oferecida, considerada baixa pela categoria. "Diferentemente de diversos municípios do país, Londrina já conta com uma estrutura física aceitável, uma equipe de suporte adequada e uma retaguarda razoável em termos de exames e diagnósticos. Precisamos trabalhar, agora, em mecanismos que poderão deixar os vencimentos oferecidos mais atrativos", argumentou.

Outro ponto que desagrada a categoria, segundo o secretário, é o de a prefeitura contratar os profissionais como promotores de saúde pública e não como médicos. "Vamos realizar uma série de reuniões com a Associação Médica e demais entidades que representam a categoria com o objetivo de levantar as principais reivindicações dos profissionais. Precisamos desse respaldo para melhorar o processo de seleção dos nossos servidores", destacou.

Martin lembrou, ainda, que o município enfrenta uma concorrência muito grande do setor privado. "O mercado está aquecido e, muitas vezes, não conseguimos competir com as instituições particulares", completou.

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