Com isso, a dependência nacional em relação ao trigo importado irá aumentar. Ou seja, nesta ano, mais da metade do consumo interno de trigo, estimado em 11 milhões de toneladas, terá que ser comprado de outros países, principalmente da Argentina, Paraguai e Estados Unidos. O reflexo deve ser o aumento no preço dos produtos derivados do cereal, como o pãozinho, massas e biscoitos.
No Paraná, os produtores colheram 3,4 milhões de toneladas, 15% abaixo da previsão inicial, de acordo com levantamento da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab). “O excesso de chuva impossibilitou tirar o trigo na época certa. Isso atrasou inclusive o plantio da soja. Choveu dia sim, dia também”, relata o produtor Andreas Keller Junior, de Guarapuava, Centro-Oeste do Paraná.
No Rio Grande do Sul, o cenário é ainda pior. Os triticultores gaúchos contabilizaram produção total de 1,5 milhão de toneladas, 34% em relação à estimativa no início da safra (2,2 milhões de toneladas), segundo dados da Emater do Rio Grande do Sul. No ano passado, o estado registrou perda de 1 milhão de toneladas, também por causa de chuva.
O agricultor Alberto Maurer, do município de Não-Me-Toque, colheu volume equivalente a metade do potencial das lavouras. Mas as 2,7 mil sacas (30 por hectare) não foram rebaixadas a triguilho. Assim, ele conseguiu perto de R$ 30 por saca, cobrindo custos. Sua sensação, no entanto, é de que não houve lucro. “No ano que vem, vamos ter redução geral na área do trigo”, aposta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário