quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Ex-assessor da Casa Civil presta presta depoimento 'morno'

Demonstrando não se recordar de detalhes do que relatou aos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em depoimentos prestados há um ano, nos dias 5 e 9 de fevereiro de 2015, quando fez acordo de delação premiada após ser preso por suposto envolvimento em esquema de exploração sexual, o fotógrafo Marcelo Caramori, ex-assessor da Casa Civil no governo de Beto Richa (PSDB), despertou críticas de advogados de réus no processo relativo à Operação Publicano 1, cujas audiências começaram a ser realizadas na segunda-feira.

Confrontado com trechos dos depoimentos e questionado sobre o alcance de suas declarações, o assessor – que hoje se diz vendedor de água de coco e caldo de cana – respondeu quase sempre com "eu não me recordo" e "desculpe, mas não me lembro". Foi reticente em algumas situações e enfatizou que não teria presenciado qualquer ato criminoso, mas que, sim, teria ouvido dizer sobre atos ilícitos. Seu depoimento durou uma hora e meia e ocorreu sem a presença de quaisquer réus na sala de sessões do Tribunal do Júri. Por ser delator, o fotógrafo tinha direito a não falar na presença de pessoas que denunciou. O juiz titular do processo, Juliano Nanuncio, da 3ª Vara Criminal, pediu que todos os auditores (cerca de uma dezena) e outros réus saíssem do recinto.

Caramori atribuiu o esquecimento ao passar do tempo e às dificuldades que teria enfrentado ao longo de 2015, após ser preso. Em linhas gerais, repetiu que confirmava o que tinha declarado nos depoimentos ao Ministério Público (MP). Ele reafirmou, no entanto, demonstrando ter mais certeza, as relações de amizade entre o empresário Luiz Abi Antoun, parente distante de Richa, e o auditor Márcio de Albuquerque Lima, que seria uma indicação de Abi.

Abi é apontado pelos promotores na segunda fase da Publicano como "líder político do esquema" de arrecadação de propina; Lima é tido como líder da suposta organização criminosa nos processos relativos às primeira, segunda e quarta fases. Abi não é réu neste processo em que Caramori prestou depoimento.

O fotógrafo mencionou ainda conversas que teria ouvido entre os auditores Luiz Antonio de Souza, o principal delator da Publicano, e o ex-chefe da Receita de Londrina José Luiz Favoreto, quando ficou preso na mesma cela que ambos, no início do ano passado, na unidade dois da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2). Os dois também respondem processo por exploração sexual de adolescentes.

Para o advogado de Favoreto, Walter Bittar, as declarações envolvendo seu cliente são fruto da recusa de atender a um pedido de dinheiro feito por Caramori. Ontem, ao questionar o fotógrafo, apresentou um bilhete que teria escrito pelo ex-assessor e entregue a Favoreto ainda na cela da PEL. Constaria do papel o número da conta bancária de Caramori. "Ele pediu dinheiro dentro da cela para meu cliente, se ele não pagasse ia fazer delação premiada. Não falou em valores. Demonstrou que esse delator faltou com a verdade", declarou Bittar.

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