segunda-feira, 7 de março de 2016

Choro constante é marca de bebês com má-formação

Amor e paciência. Essa é a "receita" da recepcionista Daniele Santos para a rotina de cuidados com João Pedro, seu filho caçula, de 3 meses de idade. Diagnosticado com microcefalia quando ainda estava no útero, o bebê apresenta um comportamento bastante irritadiço na maior parte do tempo.

"Ele chora muito e é bastante impaciente. O dia a dia é um desafio grande, mas vamos aprendendo o que fazer para tentar deixá-lo o mais confortável possível. Já sabemos que o banho é um dos momentos em que ele relaxa, demonstra prazer e se acalma. Então, tentamos aproveitar ao máximo para brincar e estimulá-lo", detalha Daniele.

Esse comportamento não é exclusivo de João Pedro. Crianças com lesões cerebrais, não apenas as causadas pelo vírus da zika, choram mais do que as demais, segundo Nelson Douglas Ejzenbaum, pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria e especialista em recém-nascidos de alto risco. "O alarme para a criança é o choro, a forma de dizer que algo está errado. Quando não tem um cérebro saudável, o bebê acaba sendo irritadiço."

Professor de neurologia infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Marcelo Masruha Rodrigues explica que a reação do bebê não necessariamente está relacionada com dor. "Pode até haver em algum casos. Quando há aumento de tônus muscular, com rigidez dos membros, a criança pode ter dificuldade para ser vestida e tirar a roupa, com aumento da pressão na região de dobras. Nos bebês menores muito irritados, a maioria não tem relação com dor."

Essas não são as únicas complicações. "Essa microcefalia é decorrente de um dano grande no cérebro, que leva a uma alteração no desenvolvimento e pode ter uma constelação de problemas, como crises convulsivas, tensão da musculatura, choro inconsolável e dificuldade para sustentar a cabeça", diz Fernando Kok, professor do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

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