sexta-feira, 6 de maio de 2016

PMs envolvidos na Operação Publicano são inocentados

Dois policiais militares rodoviários do Paraná que teriam exigido (e recebido) propina para liberar carga de combustível em 31 de dezembro de 2014, conforme consta do processo relativo à primeira fase da Operação Publicano, foram inocentados em sindicância instaurada e concluída no começo desse ano pela Corregedoria da Polícia Militar. A assessoria de imprensa da PM restringiu-se a informar que a sindicância "não encontrou indícios de crime nem de transgressão por parte dos dois policiais militares".

Ao investigar suposto esquema de corrupção na Receita Estadual, desde junho de 2014, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina deparou-se com a suposta ação criminosa dos policiais Daniel Paulo Ivaszek e Roberto Soares da Silva. O acordo para o pagamento de propina de R$ 16 mil à dupla que, às vésperas do Ano Novo, estava de plantão no posto rodoviário de Iguaraçu, na Rodovia PR-317 (pertencente à 4ª Companhia da Polícia Rodoviária, com sede em Maringá), foi inteiramente gravado. Os telefones de envolvidos no esquema estavam grampeados com autorização da Justiça.

De acordo com a denúncia da Publicano 1, os dois policiais apreenderam um caminhão que transportava combustível para uma distribuidora de Londrina, onde deixou metade da carga, e para uma empresa de Maringá, onde deveria deixar a outra metade. Antes de chegar ao destino, o caminhão foi parado pelos policiais que teriam constatado irregularidades na documentação fiscal e, para liberar a carga, teriam exigido R$ 10 mil.

Nas investigações, apurou-se que devido a desencontro de informações entre donos das empresas, motorista e outras pessoas que discutiram como conseguir o dinheiro e levar a propina aos policiais, os militares acabaram recebendo mais do que exigiam, já que uma parte do dinheiro (R$ 6 mil) foi levada por uma pessoa, e o restante (R$ 10 mil) por outro envolvido.
O Ministério Público (MP) não denunciou os dois policiais porque, por serem militares, devem ser processados na Justiça Militar. Porém, eventual inquérito e processo dependia de sindicância apontando atos ilícitos, o que não ocorreu. Os advogados dos policiais militares não foram localizados.

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