Alguns jogadores chegam a permanecer um longo período do dia nestes locais, que antes passavam despercebidos e não eram frequentados habitualmente pela maioria da população.
Em Cornélio Procópio, foram registrados cerca de seis pokéstops no mapa do jogo. Um deles, o que mais tem sido procurado pelos usuários, é a Praça da Igreja Matriz, localizada no centro da cidade. Ali, em qualquer hora do dia, aglomeram-se crianças, jovens e adultos em busca de diversão.
A manicure Camila Souza recorda que o Pokémon fez parte da infância dela, e que considera interessante o movimento que o jogo tem causado na praça da igreja. "Eu conheço várias pessoas que não saiam de dentro de casa, que não vinham aqui conversar e conhecer gente como acontece hoje". Para ela, antes as praças da cidade não tinham muita utilidade, e o máximo que todo mundo conhecia como principal ponto turístico de Cornélio era o monumento do Cristo.
Fabio Laneiro, autônomo, veio acompanhar o filho João Vitor de 13 anos em sua primeira caça aos pokémons pela praça da igreja. Ele acredita que o jogo tem aproximado mais os dois, e que considera importante saber mais sobre o mundo do filho. "Em casa, temos três crianças, e todos ficam lá só no celular dentro do quarto. E agora, eles saíram e se libertaram do vídeo, e estão aqui conversando com um amiguinho e interagindo", diz ele, que também baixou o jogo em seu celular, e se diz espantado com o sucesso repentino do game.
O diretor-auxiliar Dennis William Nori relata que, no colégio onde ele trabalha, já existe um projeto sobre educação patrimonial da cidade, e que o jogo também traz esta valorização dos espaços públicos. "Aqui na praça da catedral, por exemplo, era um lugar que não era frequentado por jovens. Apenas vinham as pessoas que estavam na missa. Com o Pokémon Go, a aglomeração de jovens aqui o dia todo é tão grande, que, por mais que a pessoa venha por conta do jogo, não tem como ela deixar de apreciar a beleza da arquitetura da catedral. Assim acontece nos outros pokéstops também, que estão valorizando monumentos da cidade", afirma.
Ele, que também é usuário do jogo, considera interessante o modo como as pessoas estão socializando e saindo de casa por conta do Pokémon Go. "O jogo está colocando as crianças, jovens e adolescentes para andar. Faz parte da mecânica do jogo o caminhar. E se isto está colocando as pessoas para fora, por que não valorizar o lado bom do jogo, ao invés de ficar criticando quem aderiu a essa moda? Dizem que é um jogo alienante, mas se a gente parar para pensar, o consumismo, o trabalho, e a própria televisão também são alienantes", completa.
Nori é um dos organizadores de um evento que pretende reunir os jogadores da cidade em uma caçada coletiva de pokémons, no próximo dia 20, na praça Botafogo. "Nosso objetivo é reunir o maior número de jogadores num lugar só, e fazer com que as pessoas se socializem e que troquem ideias sobre o jogo", afirma.
Foram agendados também para os próximos dias encontros de usuários do jogo em outras cidades da região como Santo Antônio da Platina, Bandeirantes e Jacarezinho.
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