sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Estudantes contrários às ocupações na UEL marcam protesto e pedem retorno de aulas

Estudantes de vários cursos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e contrários às ocupações que têm acontecido nas dependências da universidade, como na Rádio UEL FM, o Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA) e, por último, a reitoria, agendaram um protesto para às 17h30 desta quinta-feira (10). Uma página intitulada 'Desocupa UEL' foi criada no Facebook para orientar os manifestantes. O principal objetivo é marcar uma assembleia geral para deliberar ou não pela greve, o que, segundo os organizadores do movimento, ainda não aconteceu.

"Os encontros que definiram pela ocupações tiveram a participação de apenas um grupo. Não tivemos representação", apontou uma das líderes do Desocupa UEL e estudante do curso de Letras, Maria Vitória Carvalho. Ela adiantou que vários pedidos foram feitos para marcar presença nas assembleias, mas todos acabaram recusados. "Eles se negam a conversar. Queremos mostrar que a maioria dos que estudam na UEL não concordam com o que está acontecendo", disse.

Integrantes do curso de Medicina elaboraram uma carta de protesto. Diz o documento: "..repudiamos as atitudes de alguns estudantes de não respeitarem o direito da grande maioria em assistir suas aulas, depredando o patrimônio público com destruição das fechaduras do Centro de Ciências Exatas (CCE) e vandalizando as portas de nossa universidade". Eles também se opuseram com a ocupação na reitoria da UEL. "...isso prejudica toda a atividade jurídica, que conta com inúmeros processos administrativos com tramitação interrompida e com prazos judiciais a cumprir".

Conforme o Desocupa UEL, professores que insistem em dar aulas teriam sofrido retaliação. "Houve bate-boca, alguns chegaram a invadir as salas e discutiram com os docentes", comentou Maria Vitória Carvalho. Procurado pela reportagem, o vice-presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Estadual de Londrina e Região (Sindiprol/Aduel), Nilson Magnanin Filho, garantiu que "o órgão não recebeu nenhuma reclamação de professor". A reunião do comando de greve da categoria, ocorrida na última terça-feira (8), também não discutiu nenhuma questão a respeito de possíveis ameaças.

A reitora da UEL, Berenice Jordão, despachou uma nota no final da tarde de quarta-feira (9) informando que "solicitou ao movimento estudantil uma data para a desocupação da reitoria, salientando que o ato trouxe e está trazendo consequências gravíssimas à instituição e aos membros da comunidade universitária, uma vez que foi impedido o acesso dos servidores e gestores às dependências ocupadas".

A presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Anaeliza Barbosa Rosisca, descartou "a participação de apenas um grupo nas assembleias" e garantiu publicidade ao conteúdo debatidos nas reuniões. "Não estamos deliberando ou não a continuidade da greve. Estamos nos encontrando para definir o andamento e futuro das ocupações. Estamos colocando todas as informações para que a comunidade tenha conhecimento daquilo que estamos discutindo", comentou. O órgão estudantil aguarda uma posição da reitoria para o cumprimento de várias reivindicações, como a moradia dos alunos e combate ao racismo no ambiente acadêmico.

A representante do DCE rechaçou a crítica de que as assembleias não são democráticas. "Sempre priorizamos pelo diálogo. Todos que querem conhecer o movimento estudantil estão convocados para comparecer nas ocupações". Ela também descartou qualquer tipo de enfrentamento no protesto marcado para esta quinta-feira. "A gente vai receber esse grupo de uma forma bem tranquila". Sobre a carta elaborada por alguns estudantes de Medicina, Anaeliza Rosisca argumentou que "pessoas do mesmo curso estão nas ocupações". Questionada a respeito das possíveis depredações, ela concluiu que "vandalismo é aprovar a PEC 241/55 e controlar gastos em áreas essenciais para a população, como a saúde e educação".

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