quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Rodovia no PR onde 20 morreram já tem quase o dobro de mortes de 2015


A PR-323, onde 20 pessoas morreram em um acidente entre um ônibus e um caminhão na segunda-feira (31), em Cafezal do Sul, no noroeste do Paraná, já contabiliza 61 mortes desde janeiro. O número, conforme o levantamento da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) é quase o dobro do registrado durante todo o ano de 2015, quando 38 pessoas perderam a vida na rodovia, importante ligação entre o Porto de Paranaguá e o centro-oeste paranaense e principal acesso entre cidades da região.
Considerada uma das mais violentas do estado, parte da estrada ainda é de pista simples. O contrato para duplicação de 220 quilômetros, no entanto, foi assinado em junho de 2014 e cancelado em setembro pelo governo do Paraná. O estado afirmou que a empresa Odebrecht, que liderava o consórcio vencedor da licitação, não comprovou capacidade financeira para executar a obra. Os prazos venceram e não há prazo para que seja iniciada.

O investimento total seria de R$ 7,7 bilhões e previa ainda a construção de 41 viadutos e 13 passarelas, além de vias marginais nos trechos urbanos.
O governo do estado informou que o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) faz estudos de melhorias na rodovia e que em 2017 deve abrir novas licitações. Ainda este ano, garantiu, obras de recuperação devem ser feitas entre Umuarama e Iporã, trecho onde ocorreu o acidente.
Em nota, a Odebrecht afirmou que o contrato não foi cancelado e que ainda está em negociação para verificar a viabilidade de execução da obra.
Motoristas que trafegam pela rodovia frequentemente e parentes das vítimas tentam entender o que aconteceu e se dizem inconformados com a demora para a duplicação do trecho. A obra, dizem, precisa ser feita urgentemente para que outras tragédias possam ser evitadas.
“Acontece muito acidente aqui. Terceira faixa são poucas que tem. E, a promessa de duplicar isso aqui faz muitos anos que a gente escuta”, comentou o operador de máquinas Gilmar da Silva. “Eu passo aqui desde os anos 90 e sempre vejo essas tragédias”, lamenta o também operador de máquinas Alécio de Matos.
Entenda o acidente
O acidente na manhã de segunda-feira deixou além dos 20 mortos outros 10 feridos. O ônibus pertencia à Secretaria de Saúde de Altônia e seguia para Umuarama com 28 passageiros - a maioria pacientes em tratamento. Na batida, morreram 19 moradores de Altônia e o motorista do caminhão.
A polícia ainda vai investigar as causas do acidente, mas adiantou que o ônibus seguia no sentido a Umuarama quando bateu de frente com o caminhão que trafegava no sentido contrário. Após a colisão, o ônibus foi arrastado pelo caminhão e pegou fogo, sendo destruído pelas chamas.
O caminhão que tinha acabado de descarregar uma carga de leite e estava vazio. O motorista Sérgio Ademir Luiz Scaravonatto, de 50 anos, morreu na hora. O corpo dele foi enterrado na terça-feira (1º) no Cemitério Municipal de Pato Bragado, no oeste do estado.
Outros 18 corpos ainda estão no Instituto Médico-Legal (IML) de Umuarama. Eles serão liberados após a realização de exames de DNA, pois segundo a Polícia Científica não há condições de identificá-los por impressão digital ou arcada dentária. O material genético de familiares de todos os mortos foi coletado, e as amostras devem ser encaminhadas na nesta quarta-feira (2) para Curitiba, onde será feita a identificação. O resultado deve ficar pronto em até 40 dias.
Os passageiros do ônibus que sobreviveram foram encaminhados para o Hospital Cemil, em Umuarama. Uma das pacientes foi transferida para o Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Universitário de Londrina na tarde de terça-feira. Segundo a instituição, os outros nove feridos seguem internados, e nenhum deles está em estado grave. Os pacientes devem começar a receber alta a partir de quinta (3).

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