O trabalho surgiu em um projeto no Ceará e está completando dez anos de atividade ininterrupta em Londrina. As rodas de Terapia Comunitária são realizadas uma vez por semana e 14 Unidades Básicas de Saúde da cidade participam. O encontro é aberto e nele os participantes compartilham com os demais seus problemas e angústias. “É uma troca de saberes e de problemas do cotidiano”, afirma a coordenadora do serviço, Maria da Graça Pedrazzi Martini. Segundo ela, a Terapia Comunitária é um lugar de criação de vínculos e solidariedade. “Aquela pessoa está sofrendo e sozinha, achando que só o problema dela existe e que é muito grande. Mas quando ela vem para a roda percebe que outras pessoas passaram por aquele problema e superaram.”
No Jardim Califórnia, médico monitora as rodas de terapia
Na Unidade Básica de Saúde Eldorado, no Jardim Califórnia (região leste), a Terapia Comunitária Integrativa é realizada há um ano e meio. As rodas são monitoradas pelo médico Mauro Akio Tanaka. Segundo Tanaka, naquele bairro o foco tem sido os pacientes com problemas psiquiátricos ou depressão, que fazem uso de medicamentos. “A gente procura, através da terapia, ajudar esses pacientes na supressão de seus problemas e como resolvê-los.”Irene Sodré, 73, participante da roda há cerca de um ano, conta que começou a fazer a terapia após observar melhora com o tratamento e diz considerar os encontros como grandes responsáveis pela maneira como se sente hoje. “É onde a gente pode ver os nossos problemas, de um e outro, e ajudar também nessa terapia.” Irene ainda destaca a importância de Tanaka para a comunidade. “Ele é um médico muito bom, uma pessoa maravilhosa e conduz muito bem as nossas reuniões.”
Já Severina Gomes Freitas, 81, entrou para a roda de Terapia Comunitária Integrativa também há aproximadamente um ano, após a morte do marido, que a deixou muito deprimida. Severina conta que chegou às reuniões achando que problema dela era grande, mas com o tempo aprendeu que poderia superá-lo. “Eu melhorei. Estava tomando remédio, me deu pânico, fui parar no hospital e eu superei o meu problema. Toda melhora minha foi devida à convivência da terapia.”
Outro exemplo dos resultados das rodas de terapia é o de Maria Madalena Michalski Copani, 57, que toma medicamentos há cerca de 20 anos. “Eu comecei a participar há mais um menos um mês. Em cinco sessões já diminuí pela metade os remédios e minha meta é diminuir cada vez mais.”
Gilberto Abelha/JL
Na visão da doutora em psicologia clínica Maria Luiza Marinho Casanova, docente do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a eficácia da Terapia Comunitária depende da organização para conseguir envolver as pessoas, mas considera a ideia válida. “É importante a iniciativa, por estar perto das pessoas, e principalmente nos postos de saúde, que estão dentro dos bairros.”
Como funciona
O encontro dura cerca de uma hora e meia e é dividido em várias etapas. Primeiro vem o acolhimento, em que os participantes são recebidos e celebram conquistas, como aniversário ou obtenção de um emprego, por exemplo. Ainda nessa etapa é feita a integração entre todos, com músicas, brincadeiras e abraços. Na sequência algumas pessoas expõem os problemas, para que um deles seja votado como o tema a ser discutido no dia. Se algum presente viveu algo parecido comenta sua experiência. No final do encontro, cada um externa a lição que está levando daquele dia. “A partir daí vão tecendo os vínculos. Uma pessoa conta para a outra que já teve um problema igual, a outra se oferece para ajudar, e assim por diante”, afirma Martini.
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