segunda-feira, 21 de maio de 2012

Reprovação em avaliação psicológica chega a 80% em Londrina


Para muitos candidatos a motorista em Londrina passar pela avaliação psicológica, sem a necessidade de repetir os exames, é um grande desafio. Consulta do JL a centros de formação de condutores (CFC) constatou que o índice de reprovação chega a 80% no primeiro exame. Em alguns casos, os candidatos precisam de até três retestes para passarem de fase. Em nota, o Detran afirmou que o reteste não é considerado reprovação e o número de alunos reprovados é inferior a 1%. As avaliações psicológicas são realizadas em oito clínicas particulares credenciadas pelo Departamento de Trânsito.
As reprovações constantes também elevam o custo para os candidatos tirarem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Cada reteste custa aproximadamente R$ 80, incluindo os custos dos CFC. Como são realizados dois tipos de avaliação psicológica, o custo de para repetir o exame pode chegar a R$ 160. O que pesa mais para os candidatos, no entanto, é o fato de não terem uma justificativa para as reprovações.
Aumento das reprovações é maior em 2012
Segundo a diretora de ensino da CFC Acadêmica, Juliana Leôncio Bordin, no ano passado, o índice de reprovação ficava em torno de 60%. Neste ano já chegou a 80%. “Com o aumento das clínicas credenciadas também cresceu o índice de reprovações nas avaliações. Com isso, as autoescolas também estão perdendo clientes, pois muitos desistem.” Juliana relatou casos de alunos que foram suspensos por mais de 60 dias e outros que tiveram tantas reprovações que perderam o prazo do processo de retirada da CNH, que é de um ano. Explicações Em nota, o Detran afirmou que o candidato considerado ‘inapto temporariamente’ ou que ‘necessita de nova avaliação’ não está reprovado. Quando o resultado indica o primeiro caso é que o desempenho foi insuficiente em algum quesito (atenção, concentração, raciocínio lógico, memória, rapidez de reflexão e tomada de decisão, além de características relacionadas à personalidade) necessitando um período de tratamento. Já no segundo caso, a avaliação ainda não estaria completa e o candidato deverá retornar para novas análises. Conforme a nota do Detran, as clínicas são fiscalizadas para “corrigir qualquer irregularidade que contrarie os princípios de ética e de bem servir que norteiam as atividades do Departamento.”
Joana (nome fictício, porque a candidata ainda está em processo de avaliação e pediu para não identificada) já teve que fazer a avaliação psicológica duas vezes. Nas duas ocasiões foi reprovada, sendo que na última foi suspensa pela psicóloga por 30 dias. “No teste de lógica acertei 28 de 40 questões, então não via motivo para ser reprovada. A psicóloga não deu uma justificativa para me suspender, cheguei até a questionar a minha sanidade mental por não ser capaz de passar nesse teste”, contou.
Com a suspensão de 30 dias, Joana ainda não sabe quando poderá repetir a avaliação. Segundo ela, o agendamento dura em média 15 dias. “Com isso, não posso fazer nada. Muitas pessoas que fazem na mesma autoescola estão na mesma situação.”
O marido de Joana, José (nome fictício) se mostrou indignado com as reprovações. Ele afirmou que se tivesse condições financeiras pagaria a avaliação psicológica em uma clínica particular. “Isso acabou abalando o emocional dela. Teve concorrentes que foram aprovados acertando menos do que ela. A avaliação deve ser justa e séria para todos”, ressaltou.
Para o diretor do CFC Delta, Elizeu Rodrigues Inácio, o que causa “estranheza” é que candidatos reprovam duas ou três vezes e passam na quarta, mesmo sem nenhum acompanhamento psicológico. “Quando o candidato é reprovado no exame de vista ele tem que procurar um médico, fazer óculos e repetir o teste. Já na avaliação psicológica quem é reprovado não recebe nenhum encaminhamento. Acredito que ficando em casa ninguém se cura de um problema psicológico”, disse.
A psicóloga Julieta Arsênio, especialista em comportamento no trânsito e que ministra aulas de especialização para profissionais que atuam em avaliações psicológicas, ressaltou que o fato de o profissional não dar uma justificativa para classificar o candidato como ‘inapto’ gera um “descrédito”. “O candidato tem o direito de saber se há alguma coisa errada acontecendo com ele. Tem que orientar o candidato e encaminhá-lo para outros profissionais, pois ficar em casa não cura ninguém.” De acordo com a psicóloga, alguns casos são momentâneos, já outros precisam de tratamento.
Sobre o alto índice de reprovação nas avaliações, a especialista em comportamento no trânsito, Julieta Arsênio, afirmou que não poderia avaliar o trabalho profissional desenvolvido nas clínicas credenciadas. Contudo, ressaltou que o modelo de aplicação dessas avaliações é “superficial e desgastado”. “Pelos traçados dos riscos e desenhos é possível, sim, fazer um parecer psicológico. No entanto, no meu ponto de vista, essa avaliação acaba falhando, pois o profissional não tem nada anterior do candidato e algo momentâneo pode afetar o desempenho do candidato.”

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