“Aqui estava era uma bagunça”, diz o guardador, solicitando ordem na rua. “Só nesse trecho, cabiam cinco carros. Agora que eu marquei o chão cabem oito”, defende, apontando para o lado que pintou. Até meses atrás, Silva era menos ostensivo e marcava o asfalto com riscos de gesso. Ontem, quando decidiu institucionalizar o improviso, foi flagrado pela CMTU no momento em que pintava a “nova” sinalização viária da Rua Cambará: “Pediram para eu apagar só uma delas, que era a marca para a ambulância. Fiz porque ninguém mais vê nada aqui e acabam estacionando no lugar da emergência”, explica. “‘Tão’ pegando o boi. É serviço deles”, reclama o guardador, mirando na CMTU.
O traçado pouco exato da pintura à mão chama a atenção e causa estranheza a motoristas que estacionam na área. As opiniões se dividiram. “Ficou péssimo, não dá para achar normal uma coisa assim”, diz a motorista Tânia Cerdes, enfermeira de uma clínica particular da área. “Agora dá para a gente saber se cabe ou não cabe na hora de estacionar”, elogia Daniel Medeiros de Lima, comerciante. “É a nova zona azul de Londrina”, ironiza o comerciante Salvador Mêndega, na luta diária por uma vaga para deixar o veículo para o trabalho, também em uma clínica próxima.
A falta de vagas públicas de estacionamento na região cercada de serviços médicos é mais do que crônica. Em diversas ruas próximas, como na Rua Alagoas, a CMTU instalou novas áreas de Zona Azul oficial, com vagas demarcadas de motos e carros e cobrança por tótens digitais – mas até ontem nada estava em funcionamento. Wilson de Jesus, diretor de Trânsito da companhia, foi procurado pelo celular, mas ele não atendeu.
Em reportagens anteriores sobre a deficiência na sinalização viária na cidade, a CMTU alegou que a pintura de ruas em Londrina enfrenta o desafio de uma demanda de anos concentrada apenas em ruas centrais. Para os motoristas, uma das saídas é confiar no guardador José Rodrigues da Silva. “Na minha mão é mais barato”,
brinca ele, garantindo que não obriga nem força ninguém a pagar nada. E vem até com pintura no chão
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