Após sete meses de intenso trabalho de investigação, policiais da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) conseguiram prender um dos maiores traficante do Brasil, esta semana, durante a Operação Liberdade- Fase Tergêmino. Márcio José Fogaça, conhecido pelos apelidos de "Geléia", "Bonecão" e "Gordo", de 36 anos, foi preso em sua mansão, em Florianópolis-SC. A quadrilha de Fogaça foi completamente desmantelada, haja vista que outros 14 membros do bando também foram capturados na ação da Denarc.
Segundo ao delegado titular da Denarc, Riad Braga Farhat, a quadrilha movimentava cerca de 40 quilos de crack e cocaína por mês, movimentando aproximadamente cem pontos de venda de drogas em Curitiba, região metropolitana e litoral.
As investigações resultaram na apreensão de 12,7 quilos de cocaína, 12,9 quilos de crack, pequena porção de maconha, R$ 48.597,00, duas pistolas, 68 munições, um colete balístico, seis balanças de precisão e material de contabilidade dos valores auferidos pela quadrilha com a venda de drogas.
Esta fase da Operação Liberdade foi batizada de Tergêmino devido à rota percorrida pela droga e pelos criminosos entre os três Estados: Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina. Ela contou com o apoio da Promotoria de Inquéritos Policias e da Vara de Inquéritos Policias de Curitiba, que acompanhou as investigações e deferiu as medidas que resultaram no bloqueio judicial das contas correntes dos suspeitos, na busca e apreensão e no perdimento em favor do Estado de 26 veículos utilizados pela quadrilha para a movimentação do narcotráfico, inclusive um veículo blindado, e na restrição da liberdade de 18 integrantes da associação criminosa. "A prisão de todos os integrantes desta célula criminosa, o bloqueio judicial das contas correntes que utilizavam para financiar o tráfico e a apreensão de grande quantidade das drogas que comercializavam, impedem a continuidade delitiva do grupo, representando um duro golpe contra o narcotráfico em nosso Estado,", afirmou o delegado-geral da Polícia Civil, Marcus Vinícius da Costa Michelotto.
Fogaça estava sendo investigado há anos por manter estreita ligação com o traficante Eder de Souza Conde, indivíduo preso pela Polícia Federal em maio de 2009, tinham por objetivo identificar os passos da quadrilha após a prisão de um dos seus principais líderes.
Durante as diligências, o serviço de inteligência da Denarc, com apoio da Agência de Inteligência, investigou o esquema criminoso desenvolvido por Fogaça, tendo percebido que o suspeito não residia mais na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), tendo mudado-se para Camboriú-SC e posteriormente para Florianópolis-SC, onde coordenava uma imensa rede de aquisição de cocaína e crack e de distribuição das drogas para diversos pontos de Curitiba e da região metropolitana. Ele contava com uma equipe composta por diversos "soldados do narcotráficos", que atuavam de forma organizada, sob suas as ordens e supervisão.
Segundo a delegada Camila Cecconello, responsável pelas investigações, a equipe policial também se surpreendeu quando identificou que Fogaça fazia a aquisição de volumosa quantia de crack e cocaína oriunda da fronteira da Bolívia em parceria com Crinston Cloves Ferreira, o "Boy", preso pela Polícia Federal no ano de 2009, durante a Operação Saisine, por envolvimento na quadrilha do traficante "Fernandinho Beira Mar".
Ferreira residia no Novo Mundo, em Curitiba, e em parceria com Fogaça, contratava novos gerentes e soldados do tráfico, que coordenavam todo armazenamento e distribuição da droga adquirida pela dupla.
Prisão
No momento da prisão, Fogaça foi surpreendido descansando em seu imóvel avaliado em cerca de R$ 1 milhão em Florianópolis-SC. Segundo Farhat, que efetuou a prisão de Fogaça, juntamente com equipes do DEIC do Estado de Santa Catarina, "ele estava abrigando seus 'funcionários do tráfico' Michel Zen Martins, o 'Vina', e Jair Pessoa da Silva, o 'Zé', em seu imóvel, quando o trio foi surpreendido pela chegada da polícia ao apartamento. No local, foram localizadas documentações de diversos imóveis de propriedade de Fogaça, toda contabilidade da movimentação financeira da quadrilha e cerca de R$ 43 mil " .
Após a prisão de Rafael Rodrigues dos Santos em 20de novembro deste ano, flagrado com cerca de 11 quilos de crack que estava transportando para fazer a distribuição aos membros da quadrilha, parte dos investigados temeu estar sob investigação policial e fugiu. "Zé" e "Vina" se mudaram de Curitiba para o apartamento de Fogaça, em Florianópolis. "O trio também já havia adquirido um novo imóvel, uma cobertura em um apartamento de luxo há poucas quadras do mar em Florianópolis, para onde se mudariam na próxima semana", contou Farhat.
A droga apreendida foi adquirida pelos suspeitos por um valor aproximado de R$ 300 mil e lhes renderia um lucro três vezes maior quando vendida no varejo, totalizando R$ 900 mil.
Organizados
Segundo as investigações, o escalonamento da associação criminosa era bem organizado e seguiu os mesmos passos durante todo o período de investigação. Ferreira e Fogaça adquiriam o entorpecente oriundo da região de fronteira do Mato Grosso do Sul, e a droga era recebida e armazenada pelos "gerentes" selecionados pela dupla.
Os gerentes, por sua vez, distribuíam o entorpecente ou contavam com outros "funcionários" de confiança que efetuavam a distribuição a outros traficantes que faziam parte da quadrilha e costumavam comprar mensalmente cerca de 1 a 5 quilos da droga da dupla. Após chegar nas mãos destes traficantes, a droga era por eles vendida em menores porções a diversos traficantes que comandavam "biqueiras" de Curitiba e região metropolitana, que, por sua vez, revendiam a droga ao usuário final.
Os líderes do grupos costumavam movimentar cerca de R$ 1 milhão por mês, conforme demonstra a contabilidade de drogas organizada por Fogaça e apreendida em sua residência em Florianópolis. Os depósitos dos valores eram efetuados em nome dos familiares dos suspeitos, em nome dos próprios investigados, ou em contas correntes de "laranjas". Outras transferências de grande vulto eram realizadas em contas correntes de empresas situadas em São Paulo e em supermercados localizados na CIC. Todas estas contas correntes foram bloqueadas por determinação judicial e estes locais que poderiam estar sendo utilizados para "lavar" o dinheiro sujo estão sob investigação. (Redação Bonde, com informações da Polícia Civil)
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