- Me senti muito frustrada e chateada por não poder exercer meu direito. Quando chegou o oficial de Justiça, com polícia, viatura e ambulância, tomei um choque. Ficaram nos aterrorizando de que se não cumpríssemos o mandato meu marido seria preso. Logo na hora em que eu mais precisava dele. Para não entrar em confusão, acabei aceitando – narrou depois de receber alta.
No início desta semana, depois da gestante procurar o hospital queixando-se de dores abdominais, o diretor técnico da instituição acionou o Ministério Público (MP) para garantir o nascimento da filha de Adelir através de uma cesariana, já que o exame clínico e a ecografia realizados horas antes do nascimento da menina atestavam que a posição do bebê não era propícia a um parto normal. A mulher se negou a realizar o procedimento. Uma liminar da Justiça, entretanto, determinou que o parto fosse procedido de acordo com a orientação médica.
A decisão de obrigar Adelir a cumprir a orientação do hospital foi da juíza Liniane Mog da Silva, atendendo a uma ação cautelar do promotor Octávio Noronha. Um oficial de Justiça, acompanhado por seis PMs, foi à casa da gestante por volta de 1h30 de terça-feira para cumprir a ordem judicial. Adelir queria ter a filha com parto normal porque durante as duas gestações anteriores teve de dar à luz através de cesarianas. A gestante era assessorada por uma doula, que acompanhava a gravidez desde a 34ª semana.
Abatida e inconformada, a mãe criticou o atendimento que recebeu no hospital e disse que foi obrigada a assinar um termo de responsabilidade para poder voltar para casa.
- Ela (a médica Andreia Braga de Castro, que fez o primeiro atendimento) disse que eu tinha que assinar (o termo de responsabilidade) como se estivesse fugindo dali, que não era ela me liberando. Eu aceitei assinar, mesmo como fugitiva, porque o acordo que eu tinha feito com as enfermeiras era de que eu iria só para ser avaliada. Mas já queriam me segurar para o parto de cesariana. Assinei esse papel só para poder sair e tentar entrar em trabalho de parto em casa – relatou.
Ainda segundo a mãe, ela foi informada pelo hospital que, mesmo entrando em trabalho de parto, o nascimento da menina não seria feito de forma natural. A família, por sugestão da doula Stephany Hendz, tentou levou Adelir para o hospital de Araranguá (SC), a 62 quilômetros de Torres, mas a equipe médica da prefeitura que a buscou em casa não permitiu.
- Lá eu teria um parto humanizado, mas não me deixaram – contou.
Adelir disse que não busca indenização, mas um pedido de desculpas. De acordo com a mãe, houve “precipitação” do hospital em buscar uma solução judidicial.
- Não sou radical, nunca quis ter minha filha em casa e nem estava disposta a uma aventura em nome de uma causa. Queria apenas um parto humanizado. Estou feliz por eu e minha filha estarmos sadias, mas triste porque me senti sequestrada – lamentou. (Redação O Globo / Foto: Bruno Alencastro - Agência RBS)
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