quinta-feira, 26 de junho de 2014

Acessibilidade improvisada prejudica deficientes físicos em C. Procópio, afirma jornal de Londrina

Calçadas deterioradas, guias rebaixadas fora dos padrões, prédios sem acessibilidade. Transitar em uma cadeira de rodas por Cornélio Procópio é tarefa arriscada. Se não bastasse a topografia acidentada, os cadeirantes se deparam com vários obstáculos. Em um dos cruzamentos mais importantes da cidade, entre a Avenida Quinze de Novembro e a Rua dos Bandeirantes, as guias rebaixadas foram construídas atrás dos estacionamentos de motos, longe da faixa de pedestre.

Aparecido Donizete Pereira, de 42 anos, sofre com a falta de acessibilidade na cidade há 20 anos, quando sofreu um acidente de carro que lhe tirou os movimentos das pernas. Segundo ele, os avanços conquistados pelos deficientes físicos no País não chegaram na mesma proporção à Cornélio Procópio. O município de 48 mil habitantes, maior do Norte Pioneiro, não tem nenhum ônibus adaptado na frota do transporte municipal. Prédios como a Prefeitura ou a Câmara de Vereadores não possuem acessibilidade.

Para garantir os direitos assegurados pela Constituição, Pereira resolveu procurar o Ministério Público. O órgão firmou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Prefeitura, cobrando para a próxima licitação do transporte público, no mês que vem, a adaptação de toda a frota. "Ficamos trancados em casa porque não temos como nos locomover. No centro as guias são irregulares, já nos bairros não há nada", reclama. E o desafio vai além do problema físico; também é questão de comportamento. As vagas de estacionamento reservadas para deficientes físicos raramente são respeitadas.

Para conscientizar a população e cobrar ações do poder público, representantes de vários setores da sociedade estabeleceram o Fórum Permanente de Acessibilidade no município. A ideia da criação do fórum foi sugerida pelo assessor para assuntos de Acessibilidade do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), engenheiro civil Antonio Borges dos Reis. "O fórum é muito importante, pois essas discussões sobre acessibilidade mobilizam associações, escolas, poder público, ONGs e engenheiros, ajudando a quebrar as barreiras arquitetônicas e contribuindo para o desenvolvimento da cidade", explica o engenheiro.

O professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Cornélio Procópio, Vanderlei Flor da Rosa, que anda com auxílio de muletas, ressalta que o fórum não tem uma liderança e é uma união de esforços da sociedade civil. "É o método mais democrático de avaliarmos nossas demandas, com todos os setores se mobilizando, propondo soluções". Já foram organizados dois encontros que envolveram cerca de 30 pessoas. As reuniões são realizadas quinzenalmente nas instalações da UTFPR.

Entre as lideranças políticas, o Fórum Permanente é representado pelos vereadores Luiz Amâncio (PSDB) e Márcia de Souza (PSC). "Já existe uma normatização federal que estabelece critérios e parâmetros de acessibilidade, mas queremos desenvolver uma legislação municipal que atenda especificamente as várias demandas locais que temos neste sentido", explica Amâncio, que também é funcionário do Crea em Cornélio. "É um problema que não dá mais para ser adiado. Temos que resolver o quanto antes", complementa Márcia.

A assessoria da Prefeitura de Cornélio Procópio informou que todas as guias rebaixadas fora do padrão serão corrigidas após obras de recapagem do asfalto no centro da cidade. As readequações dependem do cronograma da Secretaria de Obras. Segundo o órgão, o atendimento a cadeirantes na Prefeitura é feito no primeiro piso. A administração afirma que todos os serviços essenciais para a população são concentrados no térreo. Quando é necessário alguma demanda no segundo piso, o cadeirante recebe assessoria preferencial. Quanto ao transporte público, a prefeitura garante que a empresa vencedora da licitação será obrigada a adaptar os ônibus. De acordo com a assessoria, duas kombis são usadas no transporte e a prefeitura também licitou 10 cadeiras motorizadas para os deficientes. (Reportagem de Celso Felizardo para a FOLHA DE LONDRINA)

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