quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Incidência de raios aumenta 18% no Paraná causando mortes

A incidência de raios no Paraná aumentou 18% em um intervalo de dois anos. No ano passado, 1.662.651 descargas atmosféricas foram registradas em todo o Estado, sendo mais de 54 mil na região do Litoral. Em 2012, foram computados 1.407.027 raios no Paraná. Os dados são do Instituto Tecnológico Simepar, que acompanha diariamente as variações climáticas.

No final da tarde do último domingo (11), o Simepar registrou apenas dez descargas atmosféricas no município de Mercedes, no extremo Oeste do Paraná. No entanto, o número foi suficiente para causar uma tragédia. Dolores Francener, de 48 anos, passeava na casa da vizinha Ivete Wyden, de 35 anos, no distrito de Arroio Guaçu, na área rural de Mercedes. As duas estavam sentadas em bancos de cimento feitos ao redor de uma mesa no quintal da residência. O local é repleto de árvores.

A secretária de Saúde de Mercedes, Arlete Martins, contou que o raio teria caído no quintal da residência por volta das 19 horas, minutos antes de um temporal. "A impressão que a gente teve é que a descarga elétrica seguiu pela fiação de uma lâmpada posicionada bem em cima da mesa de cimento. A família tinha feito uma ligação elétrica que ia de dentro da residência até a mesa e os fios passavam entre os galhos das árvores", afirmou. Segundo ela, a lâmpada estourou e a família entrou em contato com o serviço de saúde do município para socorrer as vítimas.

Duas ambulâncias da prefeitura foram até o local. Dolores morreu a caminho da Unidade de Pronto Atendimento. Ivete foi levada ao Hospital Bom Jesus, em Toledo. A assessoria do hospital informou que a paciente fraturou uma das pernas e sofreu queimaduras na região do pescoço por usar um colar no momento do incidente. Ela reclama de fortes dores de cabeça e permanece em observação, mas não precisará passar por cirurgia. O filho dela, que estava no colo no momento em que as duas foram atingidas pela descarga elétrica, chegou a cair ao chão. Ele também foi atendido pelos socorristas, mas foi liberado em seguida.

Apesar do aumento de 18% na quantidade de raios registrados nos últimos anos no Paraná, o meteorologista do Simepar Marco Antônio Rodrigues Jusevicius não considera o índice expressivo. "Isso é muito relativo. Estamos passando por uma modernização do sistema. Então não podemos afirmar se a incidência de raios aumentou ou se os equipamentos estão mais sensíveis e agora conseguem detectar melhor", explicou.

De acordo com o Simepar, o Litoral e as regiões Oeste e Norte do Paraná estão entre as áreas que favorecem a formação de nuvens de tempestade e linhas de instabilidade. "Não temos a quantidade de raios por quilômetro quadrado para fazer um ranking das cidades. Na última sexta-feira (9), em Guaraqueçaba, no Litoral, foram mais de 1.300 raios durante uma hora e meia. As descargas atmosféricas não causaram estragos", destacou o meteorologista. (Redação folha de Londrina)

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