Ainda conforme o Livre.jor, de outubro a novembro do ano passado o Estado passou a contar com 132 novas unidades de três tipos de kits táticos operacionais, compostos por spray de pimenta, gás lacrimogêneo, bomba de efeito moral e projétil de borracha. De acordo com o catálogo de produtos da fabricante, as balas de borracha são classificadas como "o último degrau da não-letalidade". A recomendação da empresa é que não se deve atirar contra a cabeça e o baixo ventre, nem de distâncias inferiores a 20 metros.
A discussão sobre a necessidade ou não de se usar os projéteis tomou proporções maiores após os episódios verificados no dia 29 de abril, durante a votação da mensagem que alterou a Paranaprevidência. Enquanto os deputados analisavam a matéria, na Assembleia Legislativa (AL), do lado de fora a Polícia Militar (PM) usava de violência para reprimir os manifestantes contrários à medida. Mais de 200 pessoas ficaram feridas. Na semana seguinte, os deputados Rasca Rodrigues (PV), Márcio Pacheco (PPL) e Tercílio Turini (PPS) apresentaram projetos que proíbem a utilização do artefato, assim como de cães, em manifestações. Todos fazem referência à chamada ‘batalha do Centro Cívico’.
Investigações
Também como consequência das cenas registradas na Praça Nossa Senhora de Salete, em Curitiba, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público (MP) do Paraná abriram inquéritos para averiguar se houve violações de direitos humanos por parte do Executivo. Oficialmente, a PM não informa o tamanho do efetivo, nem a quantidade de armas não-letais que utiliza em suas operações.
O MPF expediu ofícios à Prefeitura Municipal de Curitiba, que transformou sua sede em uma espécie de enfermaria, à Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) e ao Comando da PM. No entanto, informou que só concederia entrevistas depois da análise desses documentos. Já o MP segue recolhendo depoimentos e imagens. Procurada ontem pela FOLHA, a assessoria de imprensa do órgão disse que deve apresentar um novo balanço hoje. Concluídas as apurações, os envolvidos poderão responder, de forma coletiva ou individual, pelo ocorrido.
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