quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Tarifa de energia subirá menos em 2016, diz presidente da EPE

Depois de fechar 2015 com aumento médio superior a 50%, as tarifas de energia elétrica deverão subir este ano também, mas abaixo da inflação. A avaliação é do presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

Para Tolmasquim, a melhora nos níveis dos reservatórios das hidrelétricas (em relação aos últimos dois anos), o que poderá contribuir para o desligamento das usinas térmicas (que produzem energia mais cara) até o final de abril, contribuirá para o menor reajuste das tarifas.

"Posso garantir que a energia este ano vai subir bem menos. E a energia elétrica, que foi um problema no ano passado, vai contribuir para segurar a taxa de inflação. Isso não quer dizer que [as tarifas] não vão subir, mas subirão, sem dúvida, abaixo da inflação", disse Tolmasquim em entrevista exclusiva à Agência Brasil.

Tolmasquim destacou que a situação energética nas regiões Nordeste e do Norte – que enfrentam grave estiagem - ainda é preocupante por causa do fenômeno El niño, porém as chuvas no Sudeste estão ajudando a levar o nível dos reservatórios da região à normalidade.

"Somente nos primeiros 15 dias de janeiro, o Subsistema Sudeste/Centro-Oeste subiu 3,8%, passando a 33,6% da capacidade máxima dos reservatórios, com tendência de continuar subindo até maio. A gente está aguardando para saber se os reservatórios vão continuar subindo com a mesma intensidade para saber o momento adequado de desligar as térmicas e aliviar o bolso do consumidor", disse, ressaltando o início do período de chuvas em Minas Gerais e em Brasília.

Para este ano, a oferta de energia deverá ser ampliada, passando de 6.428 megawatts (MW), registrados no ano passado, para pouco mais de 7 mil MW. A energia gerada pelas hidrelétricas continuará sendo a principal fonte fornecedora, com aumento de 60% a 70%. Em seguida, aparece a eólica, com alta de 25% de capacidade.

Entre as usinas que devem entrar em operação em 2016 para aumentar a oferta, está a de Teles Pires, além de Jirau e Santo Antônio. Já Belo Monte iniciará o processo para encher os reservatórios.

Prova de fogo

Na avaliação de Tolmasquim, o país enfrentou o pior cenário hidrológico de sua história nos últimos anos, mais grave do que o de 2001 quando houve racionamento de energia. Os últimos anos foram marcados por estiagens prolongadas, principalmente no entorno dos grandes reservatórios, levando-os a operar no limite.

"O setor elétrico brasileiro passou por sua maior prova de fogo, ultrapassando um período realmente complicado do ponto de vista hidroelétrico e sem a necessidade do racionamento", disse. "Sempre afirmávamos, veementemente, que não haveria racionamento, ao contrário da previsão dos especialistas, porque, em 2001, a situação era muito diferente – até porque não tinha oferta de energia suficiente para atender a demanda". No ano passado, foram introduzidos ao Sistema Interligado Nacional (SIN), 6.428 megawatts (MW) de capacidade nova de energia.

De acordo com Tolmasquim, diferentemente de 2001, o sistema elétrica dispõe de mais linhas de transmissão, possibilitando maior uso de usinas termoelétricas. "Você não tinha as termoelétricas, as eólicas, tinha água sobrando no Sul, mas não tinha linhas de transmissão para mandar energia para o Sudeste", relembrando o cenário de 2001.

"O grande erro dos que afirmavam que haveriam racionamento era que olhavam para a pouca chuva, para o nível dos reservatórios, mas esqueciam que tínhamos outros recursos disponíveis, como era o caso das térmicas e das eólicas. E havia também água em outros subsistemas e linhas de transmissão para fazer girar a energia que sobrava em alguns deles".

O presidente da EPE reconhece que a diminuição da atividade econômica e alta nas tarifas, por causa do acionamento das térmicas, levaram ao consumo menor de energia no país, em 2015 e a superação do período crítico.

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